Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Grupo da USP aponta 6,6 mil em ato por prisão de Bolsonaro na Paulista

    Grupo da USP aponta 6,6 mil em ato por prisão de Bolsonaro na Paulista

    A manifestação chamada por organizações de esquerda em São Paulo neste domingo (30) reuniu, segundo o grupo de pesquisa Monitor do debate político da USP e a ONG More in Common, 6.600 pessoas na Avenida Paulista. O protesto foi convocado contra a anistia dos envolvidos nos atos de 8 de janeiiro de 2023 e a favor da prisão de Jair Bolsonaro.

    Um dos organizadores do evento, o deputado Guilherme Boulos (Psol-SP) comemorou a presença do público. “Muitos companheiros do nosso campo ficaram em dúvida sobre se seria bom ir as ruas nesse momento. Mas eu aprendi em mais de 20 anos militando no movimento social e no movimento sem teto que, se a gente não toma as ruas, o outro lado toma.” Ele também buscou comparar o tamanho do ato com manifestações anteriores da direita: “A gente sabe que batalha de narrativa de rede social é feio, mas nós pegamos uma imagem por drone do começo ao fim, e ninguém, nem mesmo os bolsonaristas, vai ter como sustentar que teve menos de 25 mil pessoas aqui. É maior do que a deles.”

    Guilherme Boulos e Erika Hilton discursam em ato em São Paulo contra anistia

    Guilherme Boulos e Erika Hilton discursam em ato em São Paulo contra anistiaWagner Origenes/Ato Press/Folhapress

    Além de Boulos, outros deputados federais marcaram presença. Lindbergh Farias (PT), que também discursou, prometeu tentar barrar o projeto de anistia para os condenados pelo 8 de Janeiro, projeto este que poderia beneficiar Bolsonaro.

    “Kassab (Gilberto Kassab, presidente do PSD) e os outros que prometeram apoiar Bolsonaro com o projeto não vão entregar o que prometeram. Eles querem votar um PL de anistia antes de ter uma condenação? Eles estariam arrumando uma grande crise institucional no Brasil e com o Supremo Tribunal Federal (STF). Não vão conseguir. Só de votar eles estariam cometendo um crime.”

    O levantamento do público presente, estimado em 6.600 manifestantes, foi coordenado pelo cientista político Pablo Ortellado, da USP. “A contagem foi feita no momento de pico da manifestação, às 15:15 horas, a partir de fotos aéreas analisadas com software de inteligência artificial”, explicou.

    Outros deputados federais presentes na manifestação foram Orlando Silva (PCdoB-SP), Erika Hilton (Psol-SP) e Carlos Zarattini (PT-SP). Os parlamentares presentes prometeram atuar contra o projeto de anistia no Congresso Nacional. A manifestação começou na praça Oswaldo Cruz, no final da Avenida Paulista, e desceu em direção ao bairro do Paraíso.

  • Comissão da Câmara discute políticas para pessoas com autismo

    Comissão da Câmara discute políticas para pessoas com autismo

    A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados realiza uma audiência pública na próxima terça-feira (1º) para discutir as políticas públicas destinadas às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A reunião será na véspera do Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo.

    O quebra-cabeças colorido é considerado um símbolo pela conscientização sobre o autismo.

    O quebra-cabeças colorido é considerado um símbolo pela conscientização sobre o autismo.MrRomanelli (via Pixabay)

    A audiência, marcada para 13h, foi solicitada pelo deputado Duarte Jr. (PSB-MA), que é o presidente da comissão. O evento tem como objetivo principal analisar a necessidade de garantir acesso igualitário e de qualidade aos serviços de atendimento para pessoas autistas.

    Veja abaixo quem deve participar da sessão:

    • André Anselmo Araújo, do Instituto Nexus Direitos;
    • David Morais, da Abraça;
    • Raimara Frota Uchoa, da Associação de Amigos do Autista no Amazonas (AMA/Am);
    • Ana Maria Silva do Nascimento Melo, do Instituto Autismo no Amazonas (IAAM);
    • Poliana Gatinho, do Movimento Orgulho Autista Brasil da região Nordeste;
    • Cléo Bohn, da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD).

    O deputado Duarte Jr. destacou a “falta de infraestrutura adequada, a escassez de profissionais qualificados e a disparidade no acesso aos serviços de saúde e educação” como desafios enfrentados por pessoas com autismo em diferentes regiões do país. Ele defende a federalização dessas políticas públicas para assegurar uma distribuição justa de serviços e recursos entre estados e municípios.

  • O que diz o projeto que permite ao Brasil retaliar tarifaço de Trump

    O que diz o projeto que permite ao Brasil retaliar tarifaço de Trump

    O Senado aprovou, nesta terça-feira (1º), um projeto de lei que autoriza o governo brasileiro a adotar medidas de retaliação comercial contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras consideradas injustas às exportações do Brasil. A proposta, que ainda precisa passar pela Câmara, é vista como uma resposta do Brasil a ações internacionais que afetam a competitividade dos produtos brasileiros no mercado global, mais notadamente as tarifas impostas pelo governo Donald Trump.

    Reunião da CAE desta terça-feira no Senado

    Reunião da CAE desta terça-feira no SenadoGeraldo Magela/Agência Senado

    Com autoria do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) e relatoria da senadora Tereza Cristina (PP-MS), o projeto estabelece que produtos importados devem seguir normas ambientais equivalentes às aplicadas à produção nacional. De acordo com a relatora, a medida busca evitar distorções na concorrência, promover equilíbrio nas relações comerciais e incentivar práticas sustentáveis. O texto passou pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e seguirá diretamente para a Câmara.

    Veja a íntegra do projeto aprovado

    O que prevê o projeto

    O projeto de lei cria instrumentos legais para que o Brasil possa suspender concessões comerciais, investimentos e direitos de propriedade intelectual de países que adotem práticas unilaterais prejudiciais ao país. Caberá à Câmara de Comércio Exterior (Camex) coordenar essas medidas, em parceria com o setor privado.

    Quando o Brasil poderá retaliar

    As medidas poderão ser adotadas quando outro país ou bloco econômico:

    • Interferir nas decisões soberanas do Brasil, impondo ou ameaçando sanções comerciais, financeiras ou de investimento;
    • Violar acordos comerciais dos quais o Brasil é signatário, prejudicando os benefícios garantidos nesses tratados;
    • Impor exigências ambientais mais duras do que aquelas praticadas no Brasil o que pode servir como barreira comercial disfarçada.

    Para avaliar essas situações, serão considerados, entre outros critérios:

    • A legislação ambiental brasileira (como o Código Florestal);
    • Os compromissos assumidos no Acordo de Paris;
    • A matriz energética brasileira, majoritariamente renovável.

    Quais são as contramedidas permitidas

    A Camex poderá adotar uma ou mais das seguintes medidas:

    • Sobretaxar importações de bens e serviços;
    • Suspender concessões comerciais e benefícios para investimentos;
    • Suspender direitos de propriedade intelectual, como patentes e royalties;
    • Alterar regras tributárias e de licenciamento para empresas de países retaliados.

    As contramedidas devem ser proporcionais ao prejuízo causado e devem evitar impactos excessivos na economia brasileira.

    Antes da punição, vem a negociação

    Antes de adotar retaliações, o governo deverá buscar soluções diplomáticas, lideradas pelo Ministério das Relações Exteriores. Além disso, o processo será transparente e contará com:

    • Consultas públicas para ouvir empresas e setores afetados;
    • Monitoramento contínuo dos impactos econômicos e do andamento das negociações;
    • Possibilidade de suspensão ou ajuste das medidas, caso haja avanços diplomáticos.

    Adaptação de leis já existentes

    O projeto também altera leis atuais para permitir o uso efetivo das retaliações. Isso inclui:

    • A autorização de licenças especiais de importação;
    • A possibilidade de ajustar alíquotas de impostos sobre remessas ao exterior (como a Cide);
    • A flexibilização da cobrança da Condecine, usada no setor audiovisual.

    Quando entra em vigor?

    A lei passa a valer a partir da data de sua publicação oficial, após aprovação final pelo Congresso. O texto tramita em caráter terminativo. Com isso, não está sujeito a votação em plenário nem na Câmara nem no Senado. Após essa etapa, seguirá para a sanção do presidente Lula para ser transformado em lei.

    Por que esse projeto é importante?

    O projeto surge em um momento em que o sistema de solução de disputas da OMC está paralisado, e países como a União Europeia e os Estados Unidos têm adotado medidas comerciais unilaterais. Para o Brasil, a proposta representa uma forma de defender sua soberania e seus interesses econômicos, especialmente no setor agropecuário.

    A ideia central é estabelecer uma reciprocidade justa: se o Brasil for alvo de barreiras injustas, poderá reagir na mesma medida com base em critérios objetivos e dentro dos parâmetros legais.

    Alternativas diplomáticas

    Entre as mudanças introduzidas pela CAE, destaca-se a exigência de que qualquer sanção comercial aplicada pelo Brasil seja proporcional ao prejuízo causado pelas barreiras estrangeiras aos produtos brasileiros. O texto também determina que todas as alternativas diplomáticas sejam esgotadas antes da adoção de medidas retaliatórias, com o objetivo de preservar as relações internacionais.

    Durante a tramitação na Comissão de Meio Ambiente, a relatora apresentou uma complementação de voto. O novo trecho, incluído no parágrafo único do artigo 5º do substitutivo, especifica que a suspensão de direitos de propriedade intelectual só poderá ser aplicada em caráter excepcional e caso o Poder Executivo considere insuficientes as demais medidas disponíveis.

  • Reforma tributária: Braga propõe quatro audiências antes de votação

    Reforma tributária: Braga propõe quatro audiências antes de votação

    O senador Eduardo Braga (MDB-AM) entregou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado o seu plano de trabalho para a análise do segundo projeto de regulamentação da reforma tributária (PLP 108/24). A proposta prevê a criação do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

    Eduardo Braga defende que proposta seja votada ainda no primeiro semestre no Senado

    Eduardo Braga defende que proposta seja votada ainda no primeiro semestre no SenadoMarcos Oliveira/Agência Senado

    Braga propõe a realização de quatro audiências públicas com especialistas sobre tributação. O relator não estipulou data para as reuniões nem para a votação do projeto na comissão. O plano de trabalho será submetido aos integrantes da CCJ, possivelmente ainda nesta quarta-feira (2).

    O Plano de Trabalho vem tratando dos quatro principais pontos: uma audiência pública para tratar da questão da organização do Comitê Gestor, outra audiência pública para tratar da questão administrativa, que é fundamental, entre estados, municípios e União. A questão das diversas instâncias de auditores fiscais que estão muito ansiosos com relação a essa regulamentação administrativa. E depois uma dedicada ao ITCMD (Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação) e outra dedicada ao ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis), disse o senador.

    Na semana passada, Eduardo Braga defendeu que o projeto seja votado ainda no primeiro semestre pelo Senado. “Não dá para estabelecer uma data para a votação, pois ainda vamos realizar audiências públicas, mas a ideia é resolver no primeiro semestre”, afirmou.

    Comitê gestor do IBS

    Tema: Competências, estrutura organizacional, aspectos orçamentários e de controle externo do Comitê Gestor do IBS.

    Participantes:

    • Bernard Appy Secretário da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária (Sert) do Ministério da Fazenda
    • Paulo Ziulkoski Presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM)
    • Edvaldo Nogueira Presidente da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP)
    • Flávio César Presidente do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz)
    • Edilson de Sousa Silva Presidente da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon)

    Disposições relativas ao IBS

    Tema: Infrações, penalidades, encargos moratórios e processo administrativo tributário do IBS.

    Participantes:

    • Manoel Nazareno Procópio de Moura Júnior Diretor de Programa da Sert
    • Ana Claudia Borges de Oliveira Presidente da Associação dos Conselheiros Representantes dos Contribuintes no Carf (Aconcarf)
    • Rodrigo Spada Presidente da Associação Nacional de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite)
    • Fábio Macêdo Presidente da Federação Nacional dos Auditores e Fiscais de Tributos Municipais (Fenafim)
    • Susy Gomes Hoffmann Advogada e Doutora em Direito Tributário
    • Zabetta Macarini Diretora-Executiva do Grupo de Estudos Tributários Aplicados (Getap)
    • Vicente Martins Prata Braga Presidente da Associação Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal (Anape)
    • Anne Karole Silva Fontenelle de Britto Presidente da Associação Nacional das Procuradoras e dos Procuradores Municipais (ANPM)

    Disposições relativas a tributos estaduais

    Tema: Regras de transição do ICMS e normas gerais do ITCMD.

    Participantes:

    • Representante do Comsefaz (nome não especificado)
    • Francelino Valença Presidente da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco)
    • Fernando Facury Scaff Advogado e Professor Titular de Direito Financeiro da USP
    • Fábio Lemos Cury Advogado e Doutor em Direito

    Disposições relativas a tributos municipais

    Tema: Alterações nas normas relativas ao ITBI e à Cosip.

    Participantes:

    • Lucas Morais Presidente do Conselho Tributário Fiscal de Goiânia e Auditor Fiscal do Município de Goiânia
    • Alberto Macedo Auditor Fiscal do Município de São Paulo e Doutor em Direito
    • Vanessa Rosa Advogada e Diretora de Relações Institucionais da Associação Brasileira das Concessionárias de Iluminação Pública (ABCIP)
  • Moraes manda prender Léo Índio, que fugiu para Argentina

    Moraes manda prender Léo Índio, que fugiu para Argentina

    Léo Índio no Congresso Nacional em 8 de janeiro

    Léo Índio no Congresso Nacional em 8 de janeiroReprodução/Instagram

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (2) a prisão de Leonardo Rodrigues de Jesus, conhecido como Léo Índio, sobrinho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    A ordem atende a um pedido apresentado na terça-feira (1º) pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a confirmação de que Leonardo deixou o Brasil e está na Argentina. Ele é réu no STF por suposto envolvimento nos atos ocorridos em 8 de janeiro de 2023.

    Na semana passada, Léo Índio concedeu entrevista à Rádio Massa FM, de Cascavel (PR), e afirmou que está no país vizinho há cerca de 20 dias, justificando a saída por receio de ser preso.

    Leia também: Defesa de Léo Índio confirma que ele está na Argentina

    Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República, ele participou diretamente das invasões aos prédios dos Três Poderes e teria feito publicações nas redes sociais durante os eventos.

    Com a aceitação da denúncia, Léo Índio passou a responder por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, associação criminosa, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, além de deterioração de bem tombado.

    Durante o julgamento, a defesa negou a prática de crimes e pediu a rejeição da denúncia. Na última semana, os advogados confirmaram que ele deixou o país.

  • Tesouro publica Balanço Geral da União de 2024

    Tesouro publica Balanço Geral da União de 2024

    Prédio do Ministério da Fazenda, na Esplanada dos MInistérios em Brasília.

    Prédio do Ministério da Fazenda, na Esplanada dos MInistérios em Brasília.Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

    O Tesouro Nacional divulgou, nesta quinta-feira (3), o Balanço Geral da União (BGU) de 2024, demonstrativo que apresenta a situação orçamentária, financeira e patrimonial da União. Juntamente com o relatório completo, o órgão lançou o BGU em Foco, uma síntese com análises gráficas.

    O Patrimônio Líquido (PL) da União registrou saldo negativo de R$ 5,910 trilhões, R$ 324,32 bilhões a mais que o valor de 2023, que foi de R$ 5,586 trilhões. O PL representa a diferença entre ativos e passivos da Administração Pública Federal.

    Em 2024, a variação patrimonial foi negativa em cerca de R$ 628,1 bilhões. Apesar de menor que a variação negativa de R$ 752,0 bilhões em 2023, o resultado indica que as despesas ainda superam as receitas. Destacam-se gastos com “benefícios previdenciários e assistenciais, despesas financeiras e transferências intergovernamentais.

    O BGU em Foco apresenta como principais ativos da União: o caixa, os créditos tributários e a dívida ativa, os haveres financeiros da União junto a Estados, Distrito Federal e municípios e a participação em empresas e fundos. Os principais passivos incluem a dívida pública federal, em mercado e em carteira do Banco Central, as provisões, em especial para riscos fiscais judiciais, previdenciárias e relativas ao Sistema de Proteção Social dos Militares das Forças Armadas, além de precatórios e requisições de pequeno valor.

    As provisões, obrigações reconhecidas pela União com valores e/ou prazos de pagamento estimados, diminuíram 0,43% (R$ 15,57 bilhões), totalizando R$ 3,594 trilhões em 2024, contra R$ 3,610 trilhões em 2023. O maior valor refere-se às provisões matemáticas previdenciárias da União (46,27% do total, ou R$ 1,663 trilhão), abrangendo principalmente as provisões de benefícios concedidos e a conceder do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS).

    As provisões do “Sistema de Proteção Social dos Militares e das Forças Armadas somaram R$ 856,03 bilhões (23,81% do total), incluindo obrigações do Sistema de Proteção Social dos Militares das Forças Armadas (SPSMFA), pensões de militares, pensões especiais de militares e anistiados políticos militares.

    As provisões para perdas judiciais e administrativas caíram 13,34%, de R$ 739,43 bilhões em 2023 para R$ 640,80 bilhões em 2024. Desse montante, R$ 479,8 bilhões correspondem a ações judiciais sem trânsito em julgado, R$ 150,8 bilhões a ações transitadas em julgado, com decisão desfavorável à União, e R$ 10,2 bilhões à provisão de precatórios e requisições de pequeno valor (RPV) cancelados.

    O Boletim projeta o resultado previdenciário do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) até 2100. Os cálculos indicam receitas previdenciárias insuficientes para cobrir as despesas nesse período. Mantendo-se as hipóteses e parâmetros, o déficit previdenciário aumentará, com necessidade de financiamento estimada em 2,68% do PIB em 2025, podendo chegar a 11,61% em 2100.

    Precatórios e RPV a pagar totalizaram R$ 130,83 bilhões ao final de 2024, aumento de 54,79% em relação aos R$ 84,52 bilhões de 2023. Os valores de precatórios devem constar na Lei Orçamentária Anual (LOA). Requeridos até 2 de abril, integram a proposta orçamentária do ano seguinte; após essa data, são pagos no segundo exercício subsequente.

    Os créditos da União junto a Estados, DF e municípios atingiram R$ 811,54 bilhões, aumento de R$ 53,66 bilhões (7,08%) em relação a 2023 (R$ 757,88 bilhões). Esses créditos originam-se principalmente de contratos de refinanciamento de dívidas, financiamentos concedidos, assunção de créditos de entidades extintas ou liquidadas e avais e outras garantias honradas.

    Excluindo juros, encargos da dívida e transferências obrigatórias, os gastos previdenciários somaram R$ 1,049 trilhão (49% do total) em 2024, aumento de 7,57% em relação a 2023. Os gastos com saúde subiram de R$ 177,1 bilhões para R$ 216,1 bilhões (21,98%).

    O BGU, formalmente Demonstrações Contábeis Consolidadas da União (DCON), integra a Prestação de Contas do Presidente da República (PCPR), divulgada pela Controladoria-Geral da União.

  • CNI diz que, depois de 4 anos, Lei do Gás ainda não destravou o setor

    CNI diz que, depois de 4 anos, Lei do Gás ainda não destravou o setor

    A aprovação da Nova Lei do Gás em 2021 não serviu para concretizar a abertura do setor, segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com a CNI, o consumo de gás natural segue estagnado por uma década na indústria, responsável por 60% da demanda, o que contraria as previsões da época.

    Gasoduto em Itatiba, São Paulo.

    Gasoduto em Itatiba, São Paulo.Luiz Carlos Murauskas/Folhapress

    O motivo, segundo a CNI, é o preço. A indústria brasileira é uma das que paga mais caro no mundo pelo uso do gás natural: o custo médio no Brasil é de US$ 20 (equivalente a R$ 110) por milhão de BTUs, o que corresponde a 10 vezes o que é pago nos Estados Unidos e o dobro do praticado na Europa. Ou seja: em comparação aos EUA, a quantidade de energia necessária para se realizar uma tarefa é 10 vezes mais cara. O estudo aponta que US$ 9 do preço do gás no Brasil estão relacionados ao escoamento e processamento, custo que poderia ser reduzido para US$ 2, conforme análise da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME).

    O gás natural desempenha um papel crucial na indústria, servindo tanto como fonte energética quanto como matéria-prima para produtos como fertilizantes.

    O estudo ainda indica travas no setor:

    • A CNI aponta atrasos na ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que, segundo o estudo, atrasa a implementação plena da Nova Lei do Gás por conta de falta de regulamentação. Apenas três dos 15 temas relacionados ao mercado de gás natural incluídos na Agenda Regulatória da ANP para 2022-2023, apenas foram concluídos. A falta de recursos humanos na agência regulatória tem adiado o cronograma da abertura do mercado.
    • A comercialização do gás natural segue em grande parte concentrada na Petrobras, com muitos produtores dependendo da estatal para escoar sua produção. A Petrobras, por sua vez, não disponibiliza informações completas sobre a capacidade disponível e as condições contratuais nos seus sistemas de escoamento e processamento de gás, o que dificulta a entrada de novas empresas.
    • A abertura do mercado de gás depende de uma atuação coordenada entre governo, reguladores e setor privado, segundo a CNI.
  • Datafolha: no 2º turno, Lula venceria Bolsonaro, Tarcísio ou Michelle

    Datafolha: no 2º turno, Lula venceria Bolsonaro, Tarcísio ou Michelle

    O presidente Lula seria favorito para se reeleger se o segundo turno das eleições de 2026 fosse hoje, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (5). No levantamento, o petista lidera todos os cenários de segundo turno testados, disputando contra o ex-presidente Jair Bolsonaro ou algum dos nomes mais prováveis de assumir seu lugar na chapa presidencial no ano que vem.

    Lula e Jair Bolsonaro: pesquisa Datafolha diz que, hoje, o atual presidente levaria a melhor em um confronto de segundo turno.

    Lula e Jair Bolsonaro: pesquisa Datafolha diz que, hoje, o atual presidente levaria a melhor em um confronto de segundo turno.Bruno Santos/Folhapress

    Além do próprio Jair Bolsonaro, o Datafolha testou Lula contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PT); e o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL), que é filho do ex-presidente. Lula aparece à frente nos cenários testados, mesmo considerando-se a margem de erro de 2 pontos percentuais.

    A pesquisa Datafolha realizou 3.054 entrevistas presenciais em 172 municípios no período de 1º a 3 de abril de 2025. Margem de erro é de 2 pontos percentuais.

  • Mercado baixa previsão do dólar em 2025 para R$ 5,90

    Mercado baixa previsão do dólar em 2025 para R$ 5,90

    O mercado prevê que o dólar feche o ano de 2025 a R$ 5,90, uma queda em comparação às projeções nas semanas anteriores. A informação está no Boletim Focus desta segunda-feira (7), relatório semanal que reúne as expectativas de analistas do mercado financeiro, e foi divulgado após o anúncio na semana passada do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de uma série de taxações sobre os produtos importados pelo país norte-americano.

    É a quarta queda semanal seguida nas previsões do mercado a respeito da cotação do dólar. Na semana passada, o mercado estimava uma cotação de R$ 5,92 para a moeda no final de 2025. Há quatro semanas, a previsão era de R$ 5,99.

    Relatório indica que as previsões para a cotação do dólar em 2025 vem caindo semanalmente.

    Relatório indica que as previsões para a cotação do dólar em 2025 vem caindo semanalmente.Adriana Toffetti/Ato Press/Folhapress

    O relatório Focus ainda indica que o mercado manteve as previsões da semana anterior para os índices mais importantes da economia brasileira. As projeções, no momento, são de crescimento do PIB a 1,97%; inflação em 5,65% e taxa Selic a 15% ao ano.

  • Tarifas de Trump desmontam ordem global, diz ex-ministro de FHC

    Tarifas de Trump desmontam ordem global, diz ex-ministro de FHC

    O pacote tarifário anunciado na última semana pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, veio sucedido por um choque no mercado financeiro global. Nesta segunda-feira (7), as principais bolsas de valores ao redor do mundo abriram o dia em queda: 13,22% para Hong Kong, 6% para a Alemanha e 1,76% para o Ibovespa. Em Nova York, os três principais indicadores locais também abriram em queda.

    Com a sucessão de quedas sobre os resultados financeiros mundiais, o próprio arranjo diplomático em determinadas partes do mundo começou a mudar: China, Japão e Coreia do Sul, três rivais históricos, agora colaboram entre si para dar uma resposta à política econômica de Trump.

    EUA deixam de ser referência, e mundo caminha para incertezas e improvisações, avalia economista.

    EUA deixam de ser referência, e mundo caminha para incertezas e improvisações, avalia economista.Pixabay

    Segundo Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-presidente do BNDES e ex-ministro das comunicações no governo Fernando Henrique Cardoso, os efeitos do Liberation Day sobre o mundo, bem como sobre o Brasil, mal começaram. Ele enxerga a medida como o gatilho para o colapso do modelo econômico e geopolítico centrado ao redor do multilateralismo, desenhado ao fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

    Modelo em colapso

    “O que está acontecendo no mundo todo é muito grave. Está sendo desmontado um sistema que, por mais de 70 anos, teve enorme sucesso. E ninguém sabe o que virá no lugar”, disse o economista. Para ele, a destruição dessa estrutura não se limita ao comércio internacional: atinge também a confiança entre países e a lógica de cooperação econômica multilateral.

    Mendonça de Barros destaca que os Estados Unidos deixaram de ser o eixo de confiança global. “O país levou décadas para construir um arranjo baseado na credibilidade. Agora, essa credibilidade está ruindo com Trump”.

    Efeitos no Brasil

    Embora o Brasil tenha se mantido relativamente protegido pela sua menor integração industrial com o comércio global, o ex-ministro alerta que não se deve cair na ilusão de que o País escapou ileso.

    “O Brasil se desenvolveu com certo grau de proteção, principalmente na indústria. Isso nos dá hoje uma margem de acomodação maior. Mas estamos dentro desse sistema global que está sendo desmontado. Não vamos escapar das consequências”, afirmou.

    Entre os impactos mais imediatos, ele aponta a possibilidade de inflação em cadeia, impulsionada pelo aumento do custo de produtos importados, como automóveis e eletrônicos.

    Erosão da liderança americana

    Para o economista, a estratégia de Trump tende a prejudicar justamente sua base eleitoral, composta por trabalhadores de baixa renda que sofrerão com o encarecimento dos produtos. “O automóvel vai ser o primeiro item que vai chocar a sociedade americana”, alertou.

    Além disso, Mendonça de Barros vê risco de recessão sincronizada. A reação dos mercados, com quedas sucessivas nas bolsas, reflete essa preocupação. “A queda de sexta (4) foi a definitiva”, ressaltou.

    Rearranjo global

    Apesar do cenário incerto, ele vislumbra uma oportunidade para o Brasil, especialmente no agronegócio. O País, segundo ele, pode se beneficiar do aumento da demanda por alimentos, enquanto os Estados Unidos perdem espaço como exportador.

    “Nosso grande concorrente nesse setor são justamente os Estados Unidos. Essa pode ser uma das poucas boas notícias no meio dessa crise”, citou.

    O economista também vê uma tendência de arranjos em alianças regionais, como possíveis pactos entre Mercosul e Europa, ou mesmo na articulação entre países asiáticos historicamente rivais, como China, Japão e Coreia do Sul, para tentar suprimir temporariamente a perda do mercado americano.

    “São arranjos provisórios, esperando que a morte política de Trump aconteça nos próximos dois anos. Agora, não volta a ser o que era”, ponderou.

    Futuro incerto

    Mendonça de Barros não acredita em soluções de curto prazo. Ele projeta que os próximos dois anos, até as eleições parlamentares americanas, serão de incertezas e improvisações. “Vamos ter gambiarras. Os Estados Unidos perderam a liderança técnica, e o resto do mundo vai ter que se reorganizar sem saber ainda como”, declarou.

    Sobre a ideia de criação de uma moeda dos BRICS como alternativa ao dólar, o ex-ministro é taxativo: “Esquece! Isso nunca teve sentido. E muito menos agora, no meio dessa bagunça”.

    Para ele, será necessário construir um novo sistema de governança global, mas isso exigirá tempo, cooperação e confiança valores que, segundo o economista, o atual governo dos EUA tem corroído de forma preocupante.