Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Plano Nacional de Educação: bancada quer responsabilizar gestores

    Plano Nacional de Educação: bancada quer responsabilizar gestores

    A Frente Parlamentar da Educação pretende alterar o projeto do Plano Nacional de Educação (PNE), de autoria do governo, para tornar mais clara a responsabilização dos governantes e gestores que não cumprirem as metas estipuladas pela proposta. O texto contém 18 objetivos, 58 metas e 253 estratégias que União, estados e municípios devem cumprir na educação básica, desde a educação infantil até os ensinos fundamental e médio, na educação profissional e tecnológica, e no ensino superior até 2034.

    Rafael Brito e Tabata Amaral são duas das principais lideranças da Frente Parlamentar da Educação

    Rafael Brito e Tabata Amaral são duas das principais lideranças da Frente Parlamentar da EducaçãoMário Agra/Agência Câmara

    “O gestor tem de ser responsabilizado. Nem que seja obrigado a entregar um balanço anual de educação a respeito das ações ao alance dele. Tem de entregar ao tribunal de contas um relatório que nem seja para mostrar sua incompetência. Precisa ter a prestação de contas rejeitadas e multa”, defendeu o presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação, deputado Rafael Brito (MDB-AL). “Há 20 anos a meta da primeira infância não é cumprida e fica por issso mesmo”, acrescentou.

    A frente parlamentar se reuniu em um almoço nesta quarta-feira (19), em um restaurante em Brasília, para abrir os trabalhos do ano e discutir suas prioridades para 2025. A aprovação do PNE foi apontada como principal tema a ser enfrentado este ano no Congresso. Ex-secretário da Educação em Alagoas, Rafael fez coro ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ao defender que o debate não seja contaminado pelas divergências ideológicas nem por radicalismos à esquerda ou à direita. 

    Hugo determinou a criação de uma comissão especial para tratar do assunto, o que deve ocorrer na primeira semana de abril, após ele retornar de uma missão oficial ao Japão, liderado pelo presidente Lula. Questões como colégio cívico-militares e de gênero podem causar atrito, avalia Rafael Brito.

    Para ele, no entanto, o foco deve ser outro, como garantir acesso básico a crianças e adolescentes a água e higiene. Em dezembro de 2024, 440 mil estudantes brasileiros estavam matriculados em escolas sem banheiro. Em 2023, cerca de 1,2 milhão de estudantes estavam matriculados em 7,5 mil escolas públicas que não tinham acesso adequado à água potável. Os dados são do Censo Escolar. “Não podemos deixar ficar como está”, afirmou o deputado. 

    A Câmara definiu nesta quarta-feira o nome do deputado Mauricio Carvalho (União-RO) como novo presidente da Comissão de Educação. Integrante da frente parlamentar temática, o deputado Pedro Uczai (PT-SC) é cotado para assumir a relatoria ou a presidência da comissão especial do PNE.”A pauta do Brasil este ano tem de ser o PNE”, defendeu o petista, que é um dos coordenadores da bancada da Educação. 

    Também uma das lideranças da frente parlamentar, a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) defendeu que o assunto seja discutido com profundidade e traga resultados concretos. “Quero um PNE que seja mais que uma lista de desejos. Quero um PNE que nos faça avançar”, afirmou a deputada durante o almoço, acompanhado pelo Congresso em Foco.

    O projeto do PNE será debatido paralelamente no Senado, na Comissão de Educação, presidida pela senadora Teresa Leitão (PT-PE.

    De acordo com a proposta do governo, estão entre os objetivos a serem alcançados até 2034:

    • Universalizar a pré-escola e ampliar a oferta para crianças de até três anos
    • Garantir a alfabetização ao final do 2º ano do ensino fundamental
    • Assegurar que os estudantes concluam o ensino fundamental e médio na idade regular
    • Ampliar a oferta de educação em tempo integral na rede pública
    • Promover a educação digital
    • Garantir o acesso à educação para a população com deficiência, transtornos ou altas habilidades
    • Incorporar as competências socioemocionais ao currículo escolar
    • Garantir a qualidade dos cursos de graduação
    • Ampliar a proporção de mestres e doutores no corpo docente

    O PNE é um programa que define diretrizes, objetivos, metas e estratégias para o desenvolvimento do ensino. O atual PNE foi prorrogado até 31 de dezembro de 2025 pela Lei 14.934, de 2024, sancionada pelo presidente Lula.

    O PNE aborda as áreas de:

    • Educação infantil
    • Alfabetização
    • Ensinos fundamental e médio
    • Educação integral
    • Diversidade e inclusão
    • Educação profissional e tecnológica
    • Educação superior
  • Leia a íntegra do relatório para o Orçamento de 2025

    Leia a íntegra do relatório para o Orçamento de 2025

    O relator do Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2025, senador Angelo Coronel (PSD-BA), protocolou o relatório para o Orçamento de 2025 no sistema do Congresso. A ideia é votar o texto na Comissão Mista de Orçamento e no plenário do Congresso Nacional ainda nesta quinta-feira (20).

    O senador Angelo Coronel (PSD-BA) é o relator do Orçamento de 2025 no Congresso Nacional.

    O senador Angelo Coronel (PSD-BA) é o relator do Orçamento de 2025 no Congresso Nacional.Geraldo Magela/Agência Senado

    Leia, nos links abaixo, o relatório de Angelo Coronel, dividido em quatro partes:

    • Volume 1 (Relatório e Voto, Anexos: Substitutivo ao Texto da Lei, Anexo V ao Texto da Lei Autorização Para Despesas com Pessoal, Relatório do Comitê de Admissibilidade de Emendas CAE, Relatório do Comitê de Avaliação das Informações Sobre Obras e Serviços com Indícios de Irregularidades Graves – COI).
    • Volume 2 (Pareceres às Emendas).
    • Volume 3 (Espelho das Emendas do Relator-Geral e Demonstrativo das Emendas de Relator-Geral, por Modalidade).
    • Volume 4 (Quadros Demonstrativos das Programações)

    A votação da Lei Orçamentária Anual deveria ter ocorrido em dezembro, mas foi adiada por questões políticas, incluindo a suspensão, pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), da execução das emendas parlamentares.

  • Ciro Nogueira: PP apoiará isenção do IR, desde que mude a compensação

    Ciro Nogueira: PP apoiará isenção do IR, desde que mude a compensação

    O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do Progressistas, declarou nesta quinta-feira (20) que a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil é uma medida positiva e que seu partido apoiará a medida. No entanto, discorda da proposta de compensação apresentada.

    “Isentar do IR quem ganha menos é uma conquista para a população de baixa renda que terá todo o nosso apoio. Sem medidas realistas de compensação, no entanto, esse será mais um benefício que irá se perder em meio à inflação e crise fiscal”, disse em suas redes sociais.

    Jefferson Rudy/Agência Senado

    Jefferson Rudy/Agência SenadoPresidente do Progressistas diz que apoiará a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, mas com outra medida de compensação.

    A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda é uma das prioridades do governo não apenas para o ano de 2025, mas para a próxima eleição, e foi enviada ao Congresso na última terça. A proposta elimina a cobrança para quem recebe até R$ 5 mil ao mês e prevê como compensação uma tributação para lucros e dividendos acima de R$ 50 mil mensais.

    Segundo o parlamentar, o partido está analisando o tema e deve apresentar uma proposta alternativa. “No retorno do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) ao país, o Progressistas vai apresentar uma alternativa factível de compensações para que os brasileiros que ganham até R$ 5 mil não recebam de um lado apenas para perder do outro”, disse.

    Apesar de ter uma bancada diminuta no Senado, o Progressistas conta com 50 deputados, configurando um dos maiores partidos da Casa. O apoio ou contrariedade da sigla ao projeto de ampliação da faixa de isenção do IR pode ser determinante para a sua margem de votos.

  • Comissão aprova projeto que proíbe açúcar em alimentos para bebês

    Comissão aprova projeto que proíbe açúcar em alimentos para bebês

    A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado aprovou, na última quarta-feira (19), o projeto de lei 2343/2024, que proíbe a adição de açúcares e adoçantes em alimentos industrializados destinados a lactantes, ou seja, bebês com menos de um ano de idade. A proposta, de autoria do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), recebeu parecer favorável do relator, senador Laércio Oliveira (PP-SE), e agora segue para análise da Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

    Laércio Oliveira (PP-SE) é relator do projeto aprovado pela CDH

    Laércio Oliveira (PP-SE) é relator do projeto aprovado pela CDHWaldemir Barreto/Agência Senado

    O projeto propõe mudanças na lei 11265, que regulamenta a comercialização de alimentos para lactentes e crianças na primeira infância. Segundo Petecão, a iniciativa está alinhada com diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e recomendações do Ministério da Saúde, que alertam para os riscos do consumo precoce de açúcar. “Apresentam uma composição nutricional desbalanceada e um maior teor energético, caracterizando um padrão alimentar de baixa qualidade nutricional, que pode levar ao ganho de peso excessivo e ao surgimento de placa bacteriana e cárie nos dentes, além de acarretar outras doenças na vida adulta”, afirmou o senador.

    Na justificativa do projeto, Petecão destaca estudos que apontam a prática da indústria alimentícia de adicionar açúcares em fórmulas infantis e leites em pó comercializados em países em desenvolvimento, como o Brasil, enquanto essa adição não ocorre na Europa.

    O relator, senador Laércio Oliveira, reforçou a importância da medida e destacou que a proibição respeita a liberdade das mães em relação à alimentação infantil, mas visa restringir a inclusão de açúcares e adoçantes em produtos voltados especificamente para bebês. “O que a proposta faz, de modo tão simples quanto eficaz, é incorporar tais ideias à lei, de modo a reduzir os problemas que a ingestão de açúcar ou a de adoçantes acarreta aos lactentes e, por extensão, às crianças, às famílias e à própria sociedade”, disse o senador.

  • Dilma é reconduzida à presidência do Banco dos Brics por mais 5 anos

    Dilma é reconduzida à presidência do Banco dos Brics por mais 5 anos

    A ex-presidente Dilma Rousseff foi reeleita para comandar o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), conhecido como Banco dos Brics. O anúncio foi feito neste domingo (23) durante o Fórum de Desenvolvimento da China, em Pequim, e confirmado pela própria Dilma, que afirmou ter sido reconduzida por unanimidade para mais um mandato à frente da instituição sediada em Xangai.

    A ex-presidente da República Dilma Rousseff deve conduzir o Banco dos Brics por mais 5 anos

    A ex-presidente da República Dilma Rousseff deve conduzir o Banco dos Brics por mais 5 anosEduardo Anizelli/Folhapress

    Dilma ocupa o cargo desde abril de 2023, com mandato inicial previsto até julho deste ano. A nova gestão deve estender sua permanência por mais cinco anos. A recondução foi apoiada pela Rússia, país que detinha a vez de indicar o comando do banco no sistema de rodízio entre os membros fundadores: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

    Durante seu discurso, a ex-presidente celebrou a retomada da capacidade de financiamento do NBD, que, segundo ela, estava paralisada havia 16 meses quando assumiu o cargo, e destacou a prioridade dada a projetos estratégicos, como a ferrovia transoceânica. A linha ferroviária é vista como alternativa para escoar a produção agrícola brasileira pelo Pacífico e baratear exportações para a Ásia, especialmente à China.

    A continuidade de Dilma também simboliza um aceno diplomático ao Brasil num momento em que as sanções internacionais limitam a atuação da Rússia em organismos multilaterais. Durante o fórum, Dilma reiterou a importância da cooperação entre países emergentes e defendeu o foco do Brics em plataformas de investimento, sem confirmar propostas como a criação de uma moeda alternativa ao dólar.

  • Bolsonaro ironiza julgamento no STF durante sessão

    Bolsonaro ironiza julgamento no STF durante sessão

    Durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), que pode torná-lo réu por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais para criticar a atuação do Judiciário. Em publicação feita no X (antigo Twitter), enquanto a sessão ocorre, Bolsonaro escreveu:

    “Brasil e Argentina em campo hoje às 21h no Monumental de Núñez. Vamos torcer pelos nossos garotos voltarem com a vitória. Já no meu caso, o juiz apita contra antes mesmo do jogo começar e ainda é o VAR, o bandeirinha, o técnico e o artilheiro do time adversário; tudo numa pessoa só.”

    O julgamento na Primeira Turma do STF analisa a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que acusa Bolsonaro de liderar uma articulação golpista para se manter no poder após a derrota nas eleições de 2022. O processo inclui outros sete investigados, entre ex-ministros e militares ligados ao ex-presidente.

    Em meio a julgamento, Bolsonaro critica Justiça nas redes

    Em meio a julgamento, Bolsonaro critica Justiça nas redesPedro Ladeira/Folhapress

  • “Não se achou nada contra Bolsonaro”, diz defesa

    “Não se achou nada contra Bolsonaro”, diz defesa

    O advogado Celso Sanchez Vilardi, responsável pela defesa de Jair Bolsonaro, disse que o seu cliente é o “presidente mais investigado da história” do Brasil. Segundo ele, a Procuradoria-Geral da República denunciou Bolsonaro com base em “narrativa” e “conjecturas” que tentam incriminá-lo. “Não se achou nada contra o presidente”, declarou Vilardi. A argumentação da defesa do ex-presidente era a mais aguardada no julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), da denúncia contra Bolsonaro e outros sete aliados acusados de tramar um golpe de Estado.

    Vilardi contesta conclusões da denúncia de Paulo Gonet contra Bolsonaro

    Vilardi contesta conclusões da denúncia de Paulo Gonet contra BolsonaroAntonio Augusto/Ascom/STF

    Enquanto a Polícia Federal fala possivelmente, enquanto a denúncia traz conjecturas, como a impressão de um documento no Palácio do Planalto, o fato concreto é que o acusado de liderar uma organização criminosa para dar golpes socorreu o ministro da Defesa nomeado pelo presidente Lula porque o comando militar não o atendia. Foi o presidente (Bolsonaro) que determinou a transição, rebateu o advogado.

    Vilardi reconheceu a “gravidade” dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, mas isentou o ex-presidente de responsabilidade pelo caso. “Eu entendo a gravidade de tudo que aconteceu no 8 de janeiro, mas não é possível que se queira imputar a responsabilidade ao Presidente da República, ou colocando como lider quando ele não participou dessa questão do 8 de janeiro, pelo contrário, ele repudiou”, sustentou o defensor.

    O advogado também contestou a utilização de pronunciamentos públicos de Bolsonaro na denúncia e negou que o ex-presidente soubesse da existência de qualquer plano para matar o presidente Lula, o vice-presidenten Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, conforme apontado pela Polícia Federal e pela PGR na denúncia. 

    “A Polícia Federal utilizou mais de 90 vezes a expressão ‘possivelmente’, porque não havia certeza [da participação de Bolsonaro]. nem a Polícia Federal, que se utilizou dessas possibilidades, afirmou a participação dele no 8 de janeiro. Não há unico elemento, nem na delação. Nem o delator fez qualquer relação, não há uma única evidência a esse respeito”, declarou.

    Assista ao julgamento:

  • STF marca julgamento do núcleo 4 da denúncia sobre trama golpista

    STF marca julgamento do núcleo 4 da denúncia sobre trama golpista

    O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para os dias 6 e 7 de maio o julgamento da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra sete acusados ligados ao núcleo 4 da suposta trama golpista investigada no âmbito do inquérito que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro.

    A análise será conduzida pela Primeira Turma da Corte, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Também integram o colegiado os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Flávio Dino.

    Sessão foi agendada para os dias 6 e 7 de maio pela Primeira Turma do Supremo

    Sessão foi agendada para os dias 6 e 7 de maio pela Primeira Turma do SupremoPedro Ladeira/Folhapress

    Núcleo de comunicação

    Segundo a PGR, os integrantes do núcleo 4 teriam participado da difusão de desinformação com foco no sistema eleitoral, por meio de publicações nas redes sociais e outros canais de comunicação. O objetivo seria desacreditar a lisura das eleições e promover ataques a instituições e autoridades públicas.

    Entre os denunciados estão militares da reserva e da ativa, além de um agente da Polícia Federal e o presidente do instituto contratado pelo PL na ação de alegação de fraude nas eleições de 2022. São eles: Ailton Gonçalves Moraes Barros (major da reserva do Exército), Ângelo Martins Denicoli (major da reserva), Giancarlo Gomes Rodrigues (subtenente), Guilherme Marques de Almeida (tenente-coronel), Reginaldo Vieira de Abreu (coronel), Marcelo Araújo Bormevet (policial federal) e Carlos Cesar Moretzsohn Rocha (presidente do Instituto Voto Legal).

    Caso a maioria dos ministros aceite a denúncia, os investigados se tornarão réus e responderão a ação penal no STF.

    Demais julgamentos

    O julgamento faz parte de uma série de processos que envolvem diferentes núcleos da acusação apresentada pela PGR. O núcleo 1 foi analisado nesta quarta-feira (26), com o recebimento da denúncia por unanimidade. Entre os acusados está o ex-presidente Jair Bolsonaro.

    A análise do núcleo 2 está prevista para os dias 29 e 30 de abril, e a do núcleo 3 para os dias 8 e 9 do mesmo mês. Cada grupo é acusado de desempenhar papéis específicos na organização do suposto plano para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, após as eleições de 2022.

  • Tentativa de golpe: entenda a corrida de obstáculos para a anistia

    Tentativa de golpe: entenda a corrida de obstáculos para a anistia

    Para cruzar a linha de chegada da anistia dos envolvidos nos atos golpistas, os apoiadores da medida terão de vencer uma corrida de obstáculos no Congresso. Cada vez considerada mais prioritária pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, a proposta terá de superar barreiras legislativas, políticas e jurídicas para se tornar realidade.

    A medida estará sujeita, inclusive, ao crivo dos dois principais alvos dos bolsonaristas: o presidente Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF), responsáveis, respectivamente, pela sanção da lei e pela palavra final sobre a constitucionalidade da anistia aos acusados de planejar o golpe de Estado.

    Milhares de pessoas invadiram e depredaram o Congresso, o Supremo e o Palácio do Planalto em 8 de janeiro de 2023

    Milhares de pessoas invadiram e depredaram o Congresso, o Supremo e o Palácio do Planalto em 8 de janeiro de 2023Marcelo Camargo/Agência Brasil

    O Código Penal define anistia como o perdão dado a um ou mais indivíduos que respondem por crimes na Justiça. Na prática, o Estado perde o direito de punir quem praticou os atos considerados criminosos mencionados.

    Sanção de Lula

    O artigo 48 da Constituição Federal, que trata das atribuições do Congresso Nacional, estabelece que cabe à Câmara e ao Senado a aprovação de anistia, por meio de projeto de lei, com a sanção do presidente da República. Ou seja, se for aprovada, a proposta será submetida a Lula, que terá 15 dias úteis para concordar ou não com a medida.

    “Projeto de lei ordinária ou complementar, que tem tramitação nas duas Casas, tem de ser sancionado ou vetado pelo presidente da República”, explica o professor de Processo Legislativo Miguel Gerônimo, especialista nos regimentos da Câmara, do Senado e do Congresso.

    “Sendo uma lei, ela tem de ser sancionada. Toda lei é fruto do Congresso. Caso contrário, é outro ato normativo”, reforça a professora Eneá Stutz e Almeida, da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB), ao refutar o argumento de que, por ser um ato do Congresso, a anistia estaria sujeita a promulgação, sem necessidade de passar pelo crivo presidencial.

    No caso de vetos, deputados e senadores são obrigados a se reunir em sessão conjunta para analisar a decisão presidencial. O presidente tem 48 horas para enviar suas justificativas ao presidente do Congresso. A partir desse momento, começa a contar o prazo de 30 dias corridos para a deliberação. O prazo, no entanto, nem sempre é respeitado. Para derrubar um veto é necessário o apoio de pelo menos 257 deputados e 41 senadores. Se uma das Casas não alcançar a maioria, a decisão do presidente é mantida.

    Artigo 48 da Constituição Federal prevê sanção para projeto de lei da anistia

    Artigo 48 da Constituição Federal prevê sanção para projeto de lei da anistiaReprodução

    Pressão sobre Hugo Motta

    Tramitam nas duas Casas, atualmente, dez projetos de lei que concedem anistia aos acusados de tentativa de golpe. O clamor pela aprovação da proposta tende a crescer, no Parlamento, com a provável aceitação da denúncia do Supremo Tribunal Federal contra Bolsonaro e outros sete aliados do chamado núcleo crucial da trama golpista. Depois de um longo dia de discussões nessa terça-feira (25), os ministros devem decidir se aceitam ou não abrir ação penal contra eles nesta quarta-feira (26).

    A oposição aguarda o retorno do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de viagem com o presidente Lula à Ásia, para apresentar na próxima semana um requerimento de urgência para acelerar o andamento do projeto de lei de anistia. A intenção é trazer a votação da proposta (PL 2858/22) diretamente para o plenário da Câmara. O requerimento de urgência, por si só, não é garantia de votação. “Há centenas deles no plenário”, lembra Miguel Gerônimo. 

    Sóstenes Cavalcante encabeça movimento pró-anistia na Câmara

    Sóstenes Cavalcante encabeça movimento pró-anistia na CâmaraBruno Spada/Agência Câmara

    O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou que Hugo se reunirá no próximo dia 1º com outras lideranças que apoiam a anistia para avaliar a possibilidade de incluir o item na pauta na semana seguinte. Caso contrário, adiantou, a bancada usará o regimento interno para impedir as votações. O partido de Bolsonaro tem a maior representação na Casa, com 92 deputados.

    Sóstenes afirma que cerca de 300 dos 513 deputados são favoráveis à anistia, número que garante uma maioria folgada. Para a aprovação de projeto de lei, basta haver maioria de votos entre os parlamentares presentes.

    Vice-líder do governo na Câmara, o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) considera que não há apoio suficiente para se aprovar uma anistia pura. “Para a moderação das penas”, sim, disse ele ao Congresso em Foco. “Nesse caso, se o Bolsonaro for retirado do projeto, fica mais fácil ainda”, acrescentou.

    Comissão especial

    Junto com o PL 2858, de autoria do ex-deputado Major Vitor Hugo (PL-GO), que foi líder do governo Bolsonaro, há outras cinco propostas de teor semelhante na Câmara. Em outubro do ano passado, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), então liderada pela deputada Caroline de Toni (PL-SC), chegou a pautar a votação do projeto.

    A proposta de Major Vitor Hugo prevê:

    • perdão por crimes previstos no Código Penal relacionados às manifestações;
    • o cancelamento de multas aplicadas pela Justiça;
    • a manutenção dos direitos políticos;
    • a revogação de medidas, transitadas em julgado ou não, que limitem a liberdade de expressão em meios de comunicação social e em redes sociais.

    No papel

    De olho na pressão popular e nas articulações pela disputa da presidência da Câmara, o então presidente, Arthur Lira (PP-AL), retirou o texto da CCJ poucos minutos antes da votação e determinou a criação de uma comissão especial para analisar o assunto. Cinco meses depois, o colegiado não foi instalado.

    Hugo Motta deve decidir o andamento do projeto na Câmara nas próximas semanas

    Hugo Motta deve decidir o andamento do projeto na Câmara nas próximas semanasMarina Ramos/Agência Câmara

    O tema deve ser devidamente debatido pela Casa. Mas não pode jamais, pela sua complexidade, se converter em indevido elemento de disputa política, especialmente no contexto das eleições futuras para a Mesa Diretora da Câmara, disse Lira.

    Cautela

    Sucessor e aliado de Lira, Hugo Motta tem adotado discurso cauteloso sobre o assunto, evitando criar briga com o governo e com o Judiciário, mas sem desagradar também aos bolsonaristas que apoiaram sua candidatura.

    Em uma de suas declarações mais abertas sobre a anistia, Hugo defendeu a tese de que não houve tentativa de golpe no 8 de janeiro de 2023. “O que aconteceu não pode ser admitido novamente, foi uma agressão às instituições. Agora, querer dizer que foi um golpe Golpe tem que ter um líder, uma pessoa estimulando, tem que ter apoio de outras instituições interessadas, e não houve isso”, declarou ele em entrevista à rádio Arapuan, da Paraíba, em 7 de fevereiro.

    Ainda assim, ressaltou, é preciso tranquilidade antes de levar o projeto a votação. “É um assunto que divide a Casa, que gera tensionamento com o Judiciário e com o Executivo. Por isso, o nosso cuidado em tratar sobre o tema. Eu não posso chegar aqui dizendo que vou pautar a anistia na semana que vem ou não vou pautar de jeito nenhum”, afirmou na mesma ocasião.

    Resistência de Davi

    Se passar pela Câmara, o projeto deve enfrentar maior resistência no Senado a começar pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AC). O senador já disse que não considera a votação da proposta prioritária nem para o Congresso nem para o Brasil.

    “A agenda do brasileiro não é essa. É preciso trabalhar todos os dias, incansavelmente, para diminuir a pobreza no país”, disse logo após sua eleição e posse como presidente, em 1º de fevereiro.

    Divisão

    Três semanas depois, Davi voltou a se posicionar. Isso não é um assunto que nós estamos debatendo. “Quando a gente fala desse assunto em todo instante, a gente está dando, de novo, a oportunidade de nós ficarmos, na nossa sociedade, dividindo um assunto que não é um assunto dos brasileiros”, afirmou.

    Em entrevista à RedeTV!, em 27 de fevereiro, o presidente do Senado defendeu uma “mediação e modulação” nas penas impostas pelo Supremo aos envolvidos no 8 de janeiro. “Ela não pode ser uma anistia para todos de maneira igual. E ela também não pode nas decisões do Judiciário ser uma punibilidade para todos na mesma gravidade”, avaliou.

    Na gaveta

    No Senado, há quatro projetos de lei sobre anistia apresentados após os atos golpistas. Entre eles está o PL 5064/23, de autoria do ex-vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS). O senador e general propõe perdão para aqueles acusados ou condenados pelos crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito em razão dos atos de 8 de janeiro.

    Outras três propostas tramitam em conjunto. Uma delas, do senador Márcio Bittar (União-AC), vai além ao tentar revogar a inelegibilidade de Bolsonaro e reabilitar seus direitos políticos imediatamente.

    Voto declarado

    O pacote, no entanto, está parado na Comissão de Defesa da Democracia desde outubro de 2023. A relatoria está nas mãos do senador Humberto Costa (PE), atual presidente do PT. A posição do petista é clara. “Golpistas não merecem anistia, merecem justiça. Quem ataca a democracia deve responder por cada ato de violência e destruição”, escreveu Humberto em suas redes no último dia 18.

    Se for analisado pela Comissão de Defesa da Democracia, o texto será submetido ainda à Comissão de Direitos Humanos e, posteriormente, à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). No Senado, diferentemente da Câmara, a oposição avalia que terá de trabalhar mais para alcançar os votos necessários para aprovar a proposta.

    Obstáculos no Supremo

    Caso vença a corrida de obstáculos na Câmara, a anistia ainda estará sujeita a contestações no Supremo Tribunal Federal a respeito de sua constitucionalidade. De acordo com um balanço divulgado pelo Supremo no início do ano, 497 pessoas já haviam sido condenadas pelos atos de 8 de janeiro em dois anos. A denúncia em análise pelo Supremo sobre a trama golpista envolve 34 pessoas ao todo.

    A anistia é geralmente aplicada a crimes políticos, mas é vedada para crimes como tortura, tráfico de drogas, terrorismo e aqueles definidos como hediondos, como estupro, e inafiançáveis, como racismo.

    O criminalista Alberto Toron disse ao site Migalhas, em dezembro, que, como os crimes contra o Estado Democrático de Direito não estão entre os vedados pelo Código Penal, há margem para uma lei de anistia, conforme o apoio político recebido pela medida.

    Relator dos processos sobre a trama golpista, o ministro Alexandre de Moraes, em decisões sobre os atos antidemocráticos, levantou a possibilidade de alguns deles serem classificados como terrorismo, utilizando os termos “ato terrorista” e “criminosos terroristas”.

    Inconstitucionalidade

    A professora de Direito da UnB, Eneá Stutz e Almeida, conselheira e ex-presidente da Comissão de Anistia, órgão vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos, entende que não há possibilidade de o STF manter a anistia caso ela seja aprovada pelo Congresso.

    Eneá Stutz, da UnB e da Comissão de Anistia, vê inconstitucionalidade em proposta

    Eneá Stutz, da UnB e da Comissão de Anistia, vê inconstitucionalidade em propostaLula Marques/Agência Brasil

    Segundo ela, o que os parlamentares discutem nos projetos apresentados é uma anistia política de esquecimento. Esse instrumento, frisa ela, contraria convenções de direitos humanos das quais o Brasil é signatário e a própria Constituição.

    Eles pedem anistia política de esquecimento. É por isso que o próprio ex-presidente fala em passar uma borracha em tudo que aconteceu para podermos nos reconciliar. Em síntese, a Constituição não admite leis de anistia política de esquecimento, em especial por causa do art. 8º do ADCT, que comanda a Justiça de transição no Brasil.

    O Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, ao qual a professora de Direito se refere, é um conjunto de normas que regulam transições e adaptações da Constituição brasileira.

    Memória x esquecimento

    “Eu defendo que a anistia política de 1979 foi uma anistia política de memória e não de esquecimento. É por isso que eu defendo que o STF, em 2010, afirmou isso, que a lei de 1979 foi uma lei de memória e não de esquecimento”, defende a jurista.

    Em 2010, por 7 votos a 2, o Supremo arquivou ação proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que questionava a abrangência da Lei da Anistia para casos de tortura e crimes comuns, cometidos por civis e agentes do Estado durante a ditadura militar. A lei de 1979, construída no governo de Ernesto Geisel e assinada pelo então presidente João Batista Figueiredo, permitiu o retorno de exilados e a libertação de presos políticos, mas também anistiou militares que cometeram graves violações de direitos humanos. Uma discussão que se arrasta ainda hoje.

  • “Perdeu, mané”: ré do 8/1 se diz cristã, arrependida e traumatizada

    “Perdeu, mané”: ré do 8/1 se diz cristã, arrependida e traumatizada

    Débora dos Santos, acusada de escrever com batom “perdeu, mané” na estátua da Justiça durante os atos de 8 de janeiro, pediu perdão em audiência e disse que se arrependeu profundamente. “Eu nunca mais me envolvo com política. Isso me traumatizou. Não me representa, não sou essa pessoa”, afirmou.

    Conforme noticiou o Migalhas, o vídeo com o depoimento foi liberado após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, levantar o sigilo do processo. Durante a audiência, Débora disse que não teve intenção de atacar o Estado Democrático de Direito e que só ajudou a completar a frase que já estava sendo escrita por um desconhecido. “Foi um erro, me arrependo muito.”

    Segundo ela, a viagem para Brasília foi feita de ônibus e custou R$ 50, pagos do próprio bolso. Débora contou que saiu de Campinas (SP), cidade vizinha a Paulínia, onde mora, e que se hospedou com um grupo em frente ao QG do Exército. Ela negou envolvimento com qualquer organização e disse que não conhece quem organizou a caravana.

    “Sou cristã, sempre fui correta. Uma semana antes, falei pro meu filho que pichar muro era errado. Eu não sei o que aconteceu comigo naquele momento. Foi no calor da situação”, desabafou.

    No fim da audiência, ela pediu perdão mais uma vez. “Entendi que tudo tem um processo, uma hierarquia. Jamais quis ferir isso. Só quero voltar pra minha família.”

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    O que aconteceu com Débora

    Débora está presa desde março de 2023, quando foi alvo da oitava fase da Operação Lesa Pátria, que investiga quem participou e financiou os atos golpistas. Em julho, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou denúncia contra ela por cinco crimes: associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe, dano qualificado ao patrimônio da União e deterioração de bem tombado.

    Apesar de muita gente nas redes sociais ter dito que ela pode pegar 14 anos de prisão por escrever com batom, o caso envolve muito mais do que isso. A pena proposta pelo ministro Alexandre de Moraes considera todos os crimes. Só os de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático somam quase 10 anos. Entenda melhor, clique aqui.