Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Davi Alcolumbre também falta a reunião sobre emendas no STF

    Davi Alcolumbre também falta a reunião sobre emendas no STF

    O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também não compareceu à audiência do Supremo Tribunal Federal (STF) presidida pelo ministro Flávio Dino para debater a constitucionalidade das emendas parlamentares impositivas.

    O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

    O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).Mateus Bonomi/Agif/Folhapress

    A advogada-geral do Senado, Gabrielle Tatith Pereira, vai representar a instituição. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também não foi.

  • Número de idosos cresce 52% em 12 anos no Brasil

    Número de idosos cresce 52% em 12 anos no Brasil

    Censo: 15% dos brasileiros têm 60 ou mais anos.

    Censo: 15% dos brasileiros têm 60 ou mais anos.Joedson Alves/Agência Brasil

    Os números do Censo 2022 revelam um salto de 52%, em apenas 12 anos, no número absoluto de idosos no Brasil. Em 2010, 21 milhões de brasileiros tinham 60 ou mais anos (11,3% da população). Em 2022, havia 32 milhões de pessoas nessa faixa etária, ou seja, 15,1% da população. É como se o país ganhasse, a cada ano, quase 1 milhão de novos idosos.

    No outro extremo, as crianças e adolescentes até 14 anos encolheram de 24% para 20% do total da população no mesmo período, confirmando o estreitamento da base da pirâmide etária. Em 2010, o país tinha cerca de 46 milhões de jovens nessa faixa; em 2022, eram pouco mais de 40 milhões.

    A expectativa de vida saltou de 73,9 anos (2010) para 77 anos (2022), resultado de avanços na saúde pública, vacinação e saneamento. Mas a queda brusca da fecundidade, de 1,90 filho por mulher em 2010 para 1,65 em 2022, fez a renovação de gerações encolher de forma acelerada.

    A consequência é que a chamada razão de dependência de idosos aumentou:

    • Em 2010, havia 6 pessoas na chamada idade ativa (15 a 59 anos) para cada idoso
    • Em 2022, essa proporção caiu para 4,3 pessoas

    Projeções do IBGE indicam que até 2050 esse número pode chegar a apenas 2 pessoas ativas por idoso, pressionando gravemente a economia.

    Um país que envelhece de forma desigual

    Essa transformação não ocorre igual em todo o território:

    • Sul e Sudeste: lideram o envelhecimento, com 16% a 18% de idosos
    • Nordeste: 13% de idosos, mas crescendo mais rapidamente
    • Norte: ainda jovem, com 12% de idosos, mas também reduzindo a fecundidade em ritmo veloz

    Ou seja, estados que antes dependiam de população jovem, como Maranhão, Pará e Acre, verão a proporção de idosos dobrar em duas décadas. Esse fenômeno surpreende porque pega desprevenidas regiões historicamente pobres, sem serviços de cuidado estruturados para a população mais velha.

    O que dizem os números

    • 11,3% de idosos em 2010 15,1% em 2022
    • Expectativa de vida: 73,9 77 anos
    • Proporção de crianças: 24% 20%
    • Relação de pessoas em idade ativa por idoso: 6 4,3
    • 32 milhões de idosos vivem hoje no Brasil

    Gênero e cor: quem são os idosos no Brasil

    Os dados do IBGE revelam que a velhice no país tem rosto feminino e negro:

    • 56% dos idosos são mulheres, reflexo da maior expectativa de vida delas
    • entre as mulheres idosas, quase 40% se declaram pretas ou pardas, muitas com renda mais baixa e forte dependência de pensões ou aposentadorias do INSS
    • os homens idosos, em geral, contam com maior cobertura de planos de saúde e melhores rendimentos, evidenciando desigualdade estrutural

    Outro ponto importante: as mulheres idosas são as mais atingidas pelo fenômeno dos lares solitários. Hoje, cerca de 20% das pessoas idosas moram sozinhas, e a maioria delas é formada por mulheres viúvas ou separadas, que podem enfrentar solidão e falta de redes de apoio.

    O desafio do cuidado

    Os idosos brasileiros não envelhecem igualmente. Enquanto classes médias e altas mantêm planos de saúde e acesso a atendimento de qualidade, a maioria da população idosa (quase 80%) depende do SUS. E boa parte desses idosos é formada por mulheres negras, que acumulam menores rendimentos ao longo da vida, e chegam à velhice com maior dependência de pensões e benefícios sociais.

    Além disso, o crescimento dos lares unipessoais (pessoas morando sozinhas), que o próprio Censo apontou, também atinge os idosos: hoje, cerca de 20% das pessoas que vivem sozinhas têm 60 anos ou mais. Isso significa risco de isolamento social, violência doméstica, depressão e dificuldade de acesso a cuidados.

    Leia ainda:

    Mulheres adiam maternidade e famílias encolhem, mostra Censo 2022

  • Projeto de lei proíbe ligações para oferta ou cobrança sem autorização

    Projeto de lei proíbe ligações para oferta ou cobrança sem autorização

    Um projeto apresentado pelos deputados Padre João (PT-MG) e Tadeu Veneri (PT-PR) propõe proibir ligações telefônicas de instituições financeiras e outras empresas para ofertas de serviços ou cobranças. A comunicação com o consumidor teria de ser feita exclusivamente por escrito, com dados claros sobre valores, condições e canais de atendimento.

    Projeto busca defender consumidor de práticas abusivas e pressões por telefone, segundo os autores.

    Projeto busca defender consumidor de práticas abusivas e pressões por telefone, segundo os autores.Zanone Fraissat/Folhapress

    O texto altera o Código de Defesa do Consumidor e foi apresentado na Câmara em 27 de junho. Caso aprovado, valerá também para chamadas feitas via internet e sujeitará as empresas infratoras às penalidades do CDC.

    Mais proteção e menos pressão

    A proposta obriga que todas as cobranças detalhem valores, encargos e formas de pagamento; já as ofertas de serviços precisam indicar preços, formas de cancelamento e descrição completa da proposta. Tudo deve ser feito de forma acessível, em português e por meio físico ou digital.

    Segundo os autores, a intenção é evitar práticas abusivas e pressões por telefone, dando ao consumidor tempo para refletir e decidir. A regra valerá 90 dias após eventual sanção.

  • Plano Safra 25/26 prevê R$ 89 bilhões para agricultura familiar

    Plano Safra 25/26 prevê R$ 89 bilhões para agricultura familiar

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta segunda-feira (30) o Plano Safra da Agricultura Familiar 2025/2026. O programa prevê R$ 89 bilhões para crédito rural no âmbito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), além de políticas públicas complementares como compras institucionais, seguro agrícola, assistência técnica e garantia de preço mínimo. O valor representa um recorde para o setor. Em 2024, o total de recursos foi de R$ 76 bilhões.

    Do montante anunciado, R$ 78,2 bilhões serão destinados ao Pronaf, que completa 30 anos em 2025. Está mantida a taxa de juros de 3% ao ano para financiamento da produção de alimentos como arroz, feijão, mandioca, frutas, verduras, ovos e leite. Para cultivos orgânicos ou agroecológicos, a taxa será reduzida para 2%.

    Durante cerimônia no Palácio do Planalto, Lula ressaltou a evolução do programa e as condições de financiamento oferecidas. “Eu vi uma quantidade de juros de 3%, de 2%, acho que a taxa mais alta é de 5% [em outras linhas de crédito]. É importante registrar que uma taxa de juro a 5% numa inflação de 5% é taxa de juro zero. É importante lembrar que uma taxa de juro a 3% num país com a inflação de 5% significa menos dois, é menos que juro zero”, afirmou.

    O presidente também elogiou o papel dos bancos públicos no apoio à agricultura familiar. “Nossos bancos estão fazendo aquilo que historicamente não se fazia nesse país. É por isso que o programa ganhou densidade nacional”, disse.

    Lula mencionou ainda os efeitos positivos da mecanização no campo e sua relação com a indústria de máquinas e equipamentos. “Quando nós criamos o Programa Mais Alimentos, em 2008, a gente conseguiu um sucesso extraordinário, porque foi o Programa Mais Alimentos que fez com que sobrevivesse a indústria automobilística naquele instante, que estava vivendo uma crise, porque nós conseguimos vender 80 mil tratores até 80 cavalos. E a mesma coisa está acontecendo agora”, declarou.

    O presidente destacou a necessidade de adaptação tecnológica às realidades dos pequenos produtores. “Ou seja, se a gente não criar as condições, se a gente não provocar o empresário para que ele possa produzir máquinas de acordo com o tamanho da terra… porque um cidadão que tem 10 hectares, ele não pode comprar uma máquina daquela que tem 50 metros de largura. Não, ele precisa de uma máquina do tamanho da terra dele”, reforçou.

    Cerimônia de lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2025/2026.

    Cerimônia de lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2025/2026.Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

    Novas linhas de crédito

    Entre as novidades do plano estão linhas de crédito voltadas à agroecologia, irrigação sustentável, adaptação às mudanças climáticas, conectividade no campo, acessibilidade e quintais produtivos. Um dos destaques é o microcrédito específico para mulheres rurais, com foco nos quintais produtivos, com limite de até R$ 20 mil, juros de 0,5% ao ano e bônus de adimplência entre 25% e 40%. A iniciativa atende a demandas da Marcha das Margaridas de 2023.

    Os quintais produtivos, também chamados de quintais agroecológicos ou caseiros, são áreas próximas às residências onde mulheres cultivam hortas, pomares, criam pequenos animais e utilizam plantas medicinais, integrando a produção de alimentos ao cotidiano familiar.

    O plano também amplia o incentivo à mecanização no campo. No âmbito do Programa Mais Alimentos, o limite de financiamento para a compra de máquinas e equipamentos de menor porte subiu de R$ 50 mil para R$ 100 mil, mantendo a taxa de juros de 2,5% ao ano. Para máquinas de maior porte, com valor de até R$ 250 mil, a taxa de juros será de 5%, com subsídio do governo federal.

    Além disso, o governo destinou R$ 1,1 bilhão ao Garantia-Safra e R$ 5,7 bilhões ao Proagro Mais. As compras públicas de produtos da agricultura familiar receberão R$ 3,7 bilhões. Foram anunciados ainda R$ 240 milhões para assistência técnica e R$ 42,2 milhões para garantia de preço mínimo de produtos da sociobiodiversidade: babaçu, pirarucu e borracha.

    Outra medida anunciada foi o lançamento do Programa de Transferência de Embriões, voltado à inovação genética na cadeia leiteira.

    O governo informou que o Plano Safra 2025/2026 voltado ao agronegócio, com foco em médios e grandes produtores, será lançado nesta terça-feira (1º/7).

    Política para redução de agrotóxicos

    Durante o evento, Lula também assinou o decreto que institui o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara). A iniciativa tem como objetivo estimular práticas agrícolas “mais seguras, resilientes e saudáveis”, com ações como pesquisa científica, monitoramento de resíduos em alimentos e no meio ambiente, fortalecimento da assistência técnica e promoção do uso de bioinsumos.

  • Deputado quer garantir liberdade de expressão como direito absoluto

    Deputado quer garantir liberdade de expressão como direito absoluto

    Dep. Marcos Pollon (PL - MS).

    Dep. Marcos Pollon (PL – MS).Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    O deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa reconhecer a liberdade de expressão como um direito absoluto no ordenamento jurídico brasileiro. A iniciativa, segundo o parlamentar, já conta com o apoio de 62 parlamentares, de um total de 171 assinaturas necessárias para que comece a tramitar no Congresso Nacional.

    Segundo o autor da proposta, a medida busca garantir a proteção da liberdade de expressão tanto para cidadãos quanto para parlamentares eleitos, com o intuito de assegurar o pleno exercício da cidadania e da representação popular. O deputado afirma que a proposta pretende consolidar os fundamentos do Estado Democrático de Direito.

    Pollon argumenta que, atualmente, interpretações do Judiciário sobre a Constituição têm possibilitado a punição de comunicadores, artistas, políticos e outros cidadãos que manifestam opiniões contrárias ao governo. “A PEC tem o objetivo de garantir a liberdade de expressão absoluta com objetivo de proteger desde o cidadão comum aos parlamentares eleitos contra pressões políticas e judiciais, que muitas vezes visam silenciar vozes discordantes.”, declarou.

    A proposta ainda precisa atingir o número mínimo de assinaturas para ser protocolada oficialmente e iniciar sua tramitação nas comissões da Câmara dos Deputados. Caso avance, deverá ser aprovada em dois turnos tanto na Câmara quanto no Senado, com quórum qualificado.

  • Lula diz que Bolsonaro é “frouxo” e que nunca vai pedir doação por Pix

    Lula diz que Bolsonaro é “frouxo” e que nunca vai pedir doação por Pix

    O presidente Lula deu uma alfinetada em Jair Bolsonaro na cerimônia de anúncio do Plano Safra 2025-2026, na última terça-feira (1). No discurso, Lula disse que jamais pediria uma doação em Pix dos seus apoiadores e disse que “quem é frouxo não deveria fazer bobagem”. Veja a cena abaixo.

    “Nunca vou pedir para vocês fazerem um Pix para mim. Nunca. Guarde o seu dinheiro para pagar para os seus funcionários”, disse Lula. “E jamais vou pedir anistia antes de ser condenado. Quem é frouxo não deveria fazer bobagem. Quem não tem coragem não deveria fazer bobagem. Quem não mede o erro das consequências não deveria fazer bobagem.”

    O ex-presidente Bolsonaro já recebeu o apoio de vaquinhas de apoiadores, que contribuíram via Pix, para o pagamento de multas eleitorais. Bolsonaro também já afirmou que o dinheiro recebido pelo Pix ajudou a sustentar a permanência do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, seu filho, nos Estados Unidos.

  • Lewandowski destaca limites ao uso de IA em apurações criminais

    Lewandowski destaca limites ao uso de IA em apurações criminais

    O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, comentou em entrevista ao Congresso em Foco os avanços e os cuidados necessários no uso de novas tecnologias, especialmente a inteligência artificial (IA), em investigações criminais conduzidas pelas autoridades brasileiras. Segundo ele, embora o uso dessas ferramentas venha crescendo, ainda há um caminho a ser percorrido na regulamentação e na capacitação de agentes públicos.

    Lewandowski afirmou que o Brasil, assim como outros países, ainda está “engatinhando” na aplicação da inteligência artificial no contexto das investigações criminais. Ele explicou que a recente portaria editada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública estabelece parâmetros rigorosos para o uso de tecnologias que possam invadir a privacidade dos cidadãos. Segundo o ministro, a norma exige que qualquer medida que envolva invasão de intimidade ou privacidade seja precedida de ordem judicial.

    “A nossa portaria […] estabelece que qualquer invasão da intimidade, da privacidade de um cidadão ou de uma cidadã deve ser precedida de uma ordem judicial”, disse. Ele criticou práticas investigativas genéricas, conhecidas como fishing expedition, nas quais agentes lançam redes de apuração sem direcionamento, esperando encontrar indícios por acaso.

    O ministro também destacou que os agentes responsáveis pelas investigações devem estar devidamente identificados, explicando os motivos, a duração e os resultados da apuração. “Quem vai investigar precisa deixar suas digitais, mostrar quem é, por que está investigando, por quanto tempo foi a investigação e qual é o resultado e se essa investigação está autorizada”, afirmou.

    Embora a portaria não tenha avançado detalhadamente na regulação do uso da IA, o ministro ressaltou que a norma estabelece o dever de respeito aos direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição.

    Avanço tecnológico no trabalho policial

    Em outro momento da entrevista, Lewandowski abordou o uso crescente de tecnologia por forças policiais no país. Ele citou a aplicação de inteligência artificial, aplicativos e o banco nacional de perfis genéticos (DNA) como exemplos de ferramentas que vêm sendo incorporadas às investigações criminais, com o objetivo de reduzir a dependência do uso da força e aumentar o esclarecimento de homicídios.

    O ministro informou que o ministério tem promovido cursos de capacitação para delegados estaduais, com foco na melhoria do índice de resolução de crimes. “Hoje, as polícias são altamente tecnológicas, se valem da inteligência artificial, se valem de aplicativos […], que fazem com que nem sempre seja necessário o uso da violência”, destacou.

    Para Lewandowski, a disseminação de novas técnicas e recursos tecnológicos tem contribuído para a redução da violência no país. Ele defendeu a continuidade do investimento em capacitação e em instrumentos modernos para aprimorar a atuação das polícias civis e federais.

  • Crédito consignado: o que muda nas regras aprovadas pelo Congresso

    Crédito consignado: o que muda nas regras aprovadas pelo Congresso

    O Congresso Nacional concluiu, nessa quarta-feira (2), a análise da Medida Provisória 1292/2025, que altera a Lei 10.820/2003 para permitir a operacionalização do crédito consignado por meio de plataformas digitais mantidas por agentes públicos. O objetivo é modernizar o sistema, garantir maior segurança jurídica, ampliar o acesso e reduzir a burocracia na contratação de empréstimos descontados diretamente em folha de pagamento.

    Por meio da plataforma digital Crédito do Trabalhador, é possível comparar condições de financiamento entre diferentes instituições financeiras habilitadas

    Medida incentiva empréstimos consignados entre trabalhadores com CLT.

    Medida incentiva empréstimos consignados entre trabalhadores com CLT.Luis Lima Jr /Fotoarena/Folhapress

    O texto, relatado pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), incorpora dispositivos que visam dar mais transparência, facilitar a portabilidade do crédito e assegurar melhores condições ao trabalhador, inclusive permitindo taxas de juros mais baixas e a inclusão de novas categorias no rol de beneficiários do consignado, como motoristas de aplicativo.

    Principais pontos da MP

    Entre as principais alterações introduzidas pela MP 1292/2025, estão:

    • autorização para que o crédito consignado seja gerido em plataformas digitais, integradas ao eSocial e ao Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), aumentando a rastreabilidade e reduzindo fraudes;
    • possibilidade de redirecionar automaticamente os descontos em caso de rescisão de contrato de trabalho para novos vínculos, sem necessidade de novo consentimento, ampliando a garantia ao credor;
    • criação do Comitê Gestor das Operações de Crédito Consignado, com representantes da Casa Civil, Ministério do Trabalho e Emprego e Ministério da Fazenda, responsável por regulamentar parâmetros e condições contratuais;
    • obrigatoriedade de mecanismos de verificação biométrica e assinatura eletrônica avançada ou qualificada para maior segurança das operações;
    • portabilidade do crédito consignado com juros obrigatoriamente menores em caso de transferência entre instituições;
    • prioridade nos primeiros 120 dias do sistema para quitar dívidas caras, como empréstimos sem garantia e parcelas de empréstimos antigos, evitando o superendividamento.

    Outro avanço significativo foi a inclusão dos motoristas de aplicativos de transporte ou entrega, que poderão autorizar desconto nos repasses recebidos por meio das plataformas para garantir operações de crédito, desde que respeitado o limite de até 30% do valor transferido.

    Proteção de dados e fiscalização

    A medida provisória reforça a necessidade de consentimento explícito do trabalhador para o compartilhamento de dados pessoais, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), além de proibir o uso das informações para finalidades diferentes da concessão do crédito.

    Em caso de retenção indevida de valores descontados ou do não pagamento integral do salário, a Inspeção do Trabalho poderá emitir um Termo de Débito Salarial (TDS), que servirá como título executivo extrajudicial para cobrança imediata, além de prever multa administrativa de 30% sobre os valores não repassados.

    Educação financeira e fortalecimento das cooperativas

    Como aprimoramento ao texto original, o relator propôs ações de educação financeira gratuitas para trabalhadores, a fim de evitar que o maior acesso ao crédito acabe alimentando ciclos de endividamento. Além disso, foi prevista a manutenção de regras específicas para cooperativas de crédito compostas por celetistas, permitindo que continuem operando com convênios diretos com empresas empregadoras, desde que registrem os contratos nos novos sistemas públicos.

    A expectativa é que a nova regulamentação modernize definitivamente o mercado de crédito consignado no país, ao alinhar-se à transformação digital e proporcionar mais agilidade, segurança e poder de escolha aos trabalhadores brasileiros.

  • Câmara aprova criação de grupos parlamentares com países asiáticos

    Câmara aprova criação de grupos parlamentares com países asiáticos

    Em sessão plenária, a Câmara dos Deputados aprovou duas resoluções que visam o estreitamento das relações parlamentares com a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) e com o Sri Lanka. As resoluções, já promulgadas, formalizam a intenção de cooperação mútua.

    O Projeto de Resolução (PRC) 43/07, de autoria do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), institui o grupo parlamentar Brasil-Asean. Paralelamente, o PRC 109/15, proposto pelo deputado Vinicius Carvalho (Republicanos-SP), estabelece um grupo similar com o Sri Lanka.

    A finalidade primordial desses grupos reside na promoção de visitas recíprocas, encontros bilaterais, compartilhamento de experiências e a troca de publicações e estudos sobre temas de relevância legislativa. A participação dos deputados e deputadas nesses grupos é de caráter facultativo, e não acarreta ônus financeiro para a Câmara dos Deputados.

    Plenário da Câmara dos Deputados.

    Plenário da Câmara dos Deputados.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    Paulo Pimenta enfatizou que “o grupo parlamentar Brasil-Asean visa o incremento do intercâmbio com aquela região, gerando amplos benefícios para ambas as partes”. Ele também destacou a já existente relação entre o Mercosul e a Asean.

    Pimenta ainda informou que a Asean foi fundada em 1967 por Tailândia, Indonésia, Malásia, Singapura e Filipinas, e que posteriormente Brunei, Vietnã, Myanmar, Laos e Camboja aderiram ao bloco.

    Vinicius Carvalho, por sua vez, ressaltou que “o acordo de cooperação entre Brasil e Sri Lanka, de 2009, corrobora a crescente integração entre os dois países, e é importante o acompanhamento de programas e projetos”, justificando a necessidade da criação do grupo parlamentar.

  • Lindbergh: decisão de Moraes sobre IOF ameaça saúde e educação

    Lindbergh: decisão de Moraes sobre IOF ameaça saúde e educação

    Em um tom acima do utilizado por integrantes do governo, o líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), reagiu de forma dura à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu os efeitos dos decretos do Congresso e do presidente Lula sobre o aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Para o parlamentar, a medida agrava a situação fiscal do país e ameaça diretamente investimentos em áreas prioritárias como saúde e educação.

    “A suspensão imediata do decreto agrava uma questão fiscal urgente: sem sua vigência, será necessário contingenciar R$ 10 bilhões, afetando diretamente áreas essenciais como saúde e educação. O custo da indefinição recairá sobre os mais obres”, escreveu o petista no longo texto no X.

    Ele argumenta que a Constituição, no artigo 153, 1º, assim como a Lei nº 8.894/1994, garante ao presidente da República a prerrogativa de fixar as alíquotas do IOF dentro dos limites legais, alinhadas aos objetivos da política econômica.

    “As alíquotas do IOF são fixadas pelo Executivo justamente para ajustar a política monetária e fiscal, como prevê a lei. A liminar precisa ser urgentemente revista”, defendeu.

    Alesandre de Moraes convocou uma audiência de conciliação entre representantes dos Poderes. Ele deu cinco dias para que o governo e o Congresso se manifestem. Segundo ele, seria uma “inaceitável covardia” o STF não tentar conciliar o conflito.

    Lindbergh usou tom mais duro do que integrantes do governo ao comentar decisão de Alexandre de Moraes.

    Lindbergh usou tom mais duro do que integrantes do governo ao comentar decisão de Alexandre de Moraes.Marina Ramos/Agência Câmara

    “Estratégia política de confronto”

    Para Lindbergh, a decisão do STF não pode ser vista apenas sob uma ótica jurídica. O parlamentar enxerga na disputa uma estratégia de setores da extrema direita para confrontar as atribuições constitucionais tanto do Executivo quanto do próprio Judiciário. Ele compara a situação com outros casos recentes, como o do deputado Delegado Ramagem (PL-RJ) e o da deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP), que teriam, segundo ele, revelado uma tentativa de esvaziar prerrogativas legais e criar instabilidade política. No caso de Ramagem, a Câmara suspendeu algumas das acusações contra ele no Supremo Tribunal Federal. Já Zambelli preserva o mandato na Câmara mesmo condenada a dez anos de prisão e foragida.

    “O Supremo parece não perceber que há uma operação articulada para deslegitimar seus próprios poderes constitucionais”, disse.

    Na avaliação do deputado, ao suspender indistintamente tanto o decreto presidencial quanto o projeto de decreto legislativo (PDL) do Congresso, o Supremo provoca efeitos assimétricos. Segundo ele, a medida preserva o resultado político do PDL, mas causa prejuízos concretos às contas públicas, permitindo que um ato legislativo que ele considera inconstitucional produza efeitos de fato.

    Argumentos de legalidade

    Lindbergh também sustenta que o aumento do IOF promovido pelo governo está dentro da legalidade. Ele lembra que o imposto tem natureza mista, servindo tanto a objetivos extrafiscais quanto arrecadatórios, e que a majoração recente, fixada em 3,5%, não extrapola o teto permitido por lei (1,5% ao dia). Além disso, o PDL do Congresso, segundo ele, violaria regras fiscais ao anular a arrecadação sem estimativa de impacto orçamentário, descumprindo o artigo 113 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e o artigo 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal.

    Para reforçar seus argumentos, Lindbergh cita precedente do próprio Supremo, que validou em 2021 um decreto do governo Bolsonaro elevando o IOF para financiar o Auxílio Brasil. Naquele julgamento, o STF reconheceu que a majoração do tributo atendia tanto a finalidades fiscais quanto extrafiscais, o que legitima sua utilização para recomposição de receitas.

    Apelo ao Supremo

    Por fim, Lindbergh apelou para que a Corte mantenha a coerência com decisões anteriores e restabeleça a vigência plena do decreto de Lula. Na visão dele, o governo não pode abrir mão de sua competência regulatória constitucionalmente garantida, e cabe ao STF afirmar os limites entre os poderes, protegendo a governança fiscal e evitando o que classificou como “desmonte da legalidade democrática por interesses de manutenção de privilégios e desigualdades”.

    “Se não houver consenso na audiência de conciliação, o Supremo terá que cumprir sua missão de garantir o equilíbrio entre os Poderes”, concluiu o líder petista.