Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Dinheiro de brasileiros no exterior soma US$ 654,5 bilhões em 2024

    Dinheiro de brasileiros no exterior soma US$ 654,5 bilhões em 2024

    Em 2024, o montante de recursos financeiros de origem brasileira alocado em outros países alcançou a cifra de US$ 654,5 bilhões. Os dados foram provenientes da pesquisa de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE), divulgada pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira (25), em Brasília.

    A declaração anual é um procedimento compulsório para pessoas físicas e jurídicas residentes no Brasil que detêm valores, bens, direitos e ativos de qualquer natureza situados no exterior, cujo valor total seja igual ou superior a US$ 1 milhão. No total, 29.068 cidadãos brasileiros prestaram contas de seus ativos, tendo como data de referência o dia 31 de dezembro de 2024.

    Desse universo, 25.208 são pessoas físicas, detentoras de US$ 245,4 milhões em outros países, enquanto 3.860 são empresas com US$ 409,1 milhões em ativos fora do território nacional. A maior parcela dos ativos corresponde a investimentos diretos no setor produtivo, totalizando US$ 503,9 bilhões, seguida por outros investimentos, como créditos comerciais, empréstimos e moedas (US$ 86,5 bilhões), e investimentos em carteira, como ações e títulos de renda fixa (US$ 62,8 bilhões).

    O dinheiro de brasileiros fora do país somou US$ 654,5 bilhões em 2024.

    O dinheiro de brasileiros fora do país somou US$ 654,5 bilhões em 2024.Valter Campanato/Agência Brasil

    Na distribuição dos investimentos diretos por países, considerando a participação no capital das empresas, US$ 95 bilhões estão alocados nos Países Baixos, seguidos pelas Ilhas Virgens Britânicas (US$ 83,3 bilhões), Ilhas Cayman (US$ 73,2 bilhões), Bahamas (US$ 58,1 bilhões), Luxemburgo (US$ 35,1 bilhões) e Estados Unidos (US$ 20,9 bilhões).

    Quanto à divisão por setor produtivo, US$ 313,6 bilhões foram destinados a empresas de serviços, predominantemente serviços financeiros e holdings, enquanto US$ 86,9 bilhões foram investidos na agricultura, pecuária e extrativismo mineral, com ênfase na extração de petróleo e gás natural. No setor industrial, os investimentos de brasileiros no exterior totalizaram US$ 42 bilhões em 2024.

    Além da declaração anual de CBE, existe também a declaração trimestral para aqueles que possuem ativos superiores a US$ 100 milhões. As informações coletadas têm fins estatísticos, visando à compilação de dados sobre o ativo externo da economia brasileira e a posição do investimento internacional do país.

  • Brasil tenta reabrir diálogo com EUA para evitar tarifaço de Trump

    Brasil tenta reabrir diálogo com EUA para evitar tarifaço de Trump

    Às vésperas da entrada em vigor do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros anunciado por Donald Trump, o governo Lula intensifica as articulações diplomáticas para tentar reverter a decisão. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, desembarcou nesse domingo (27) em Nova York, onde participa de uma conferência da ONU sobre a criação do Estado palestino. A missão oficial se estende até terça-feira (29), mas Vieira já sinalizou que está disposto a viajar a Washington, desde que haja alguma abertura por parte do governo americano para discutir as tarifas.

    A medida anunciada por Trump deve entrar em vigor no dia 1º de agosto e representa a mais grave crise comercial entre os dois países em décadas. O ex-presidente americano justificou a sanção como uma resposta ao tratamento dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente réu por tentativa de golpe de Estado. Trump chamou o processo de “caça às bruxas” e tem sido acusado por parlamentares democratas de tentar interferir na Justiça brasileira.

    Mauro Vieira busca diálogo com o governo norte-americano, que, até o momento, não demonstra interesse em negociar tarifas.

    Mauro Vieira busca diálogo com o governo norte-americano, que, até o momento, não demonstra interesse em negociar tarifas.Renan Areias/Agência Enquadrar/Folhapress

    Governo brasileiro encontra resistência

    Apesar de ter informado oficialmente sua presença nos Estados Unidos e reforçado a disposição para negociar, o Brasil até agora enfrenta resistência. O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, afirmou no fim de semana, em entrevista à Fox News, que não haverá prorrogação no prazo para adoção das tarifas. Antes disso, o vice-presidente Geraldo Alckmin havia tentado dialogar com o secretário, também sem sucesso.

    Internamente, Mauro Vieira reuniu-se com a embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, e com técnicos dos ministérios da Indústria e do Planejamento. Segundo interlocutores, o chanceler afirmou que o Brasil não aceitará sanções econômicas motivadas por decisões judiciais internas.

    Caso não haja resposta positiva do governo dos EUA, Vieira deve retornar ao Brasil na quarta-feira (30), mantendo, no entanto, os esforços por meio de canais diplomáticos multilaterais e bilaterais.

    Congresso atua em paralelo

    Em outra frente, uma comitiva de oito senadores brasileiros está em Washington desde o fim de semana para pressionar contra o tarifaço. O grupo é liderado por Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, e conta com parlamentares de diferentes partidos e espectros ideológicos, como Tereza Cristina (PP-MS), Jacques Wagner (PT-BA), Marcos Pontes (PL-SP), entre outros.

    A agenda dos senadores inclui encontros com congressistas americanos, lideranças empresariais e representantes da sociedade civil. Nos bastidores, há consenso de que Trump tenta usar o Brasil como peça em sua estratégia eleitoral, ao explorar o apoio a Bolsonaro como ativo político.

    Escalada da tensão

    A decisão de Trump de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros já gerou forte reação em Brasília e mobilizou o Itamaraty, que agora busca uma saída diplomática para a crise. A expectativa é que a presença de Vieira nos Estados Unidos funcione como um gesto de boa vontade para a retomada do diálogo, embora o cenário siga incerto.

    Com a aproximação do prazo final e sem sinais de flexibilização por parte dos Estados Unidos, o risco de danos à economia brasileira aumenta, especialmente para setores exportadores estratégicos.

  • PF e CGU fazem operação para apurar desvio de emendas parlamentares

    PF e CGU fazem operação para apurar desvio de emendas parlamentares

    A Polícia Federal (PF), em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta terça-feira (29) a Operação Korban, com o objetivo de investigar o desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares destinados à realização de eventos de esportes digitais.

    Estão sendo cumpridos 16 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos Estados do Acre, Paraná, Goiás e no Distrito Federal. Além disso, foram determinadas medidas de sequestro de bens, como veículos e imóveis, e o bloqueio de contas bancárias de empresas investigadas. As ações de indisponibilidade patrimonial podem atingir o montante de R$ 25 milhões.

    Operação Korban investiga associação que recebeu recursos para eventos estudantis de esportes digitais.

    Operação Korban investiga associação que recebeu recursos para eventos estudantis de esportes digitais.Reprodução/PF

    A apuração foca em possíveis irregularidades na execução de aproximadamente R$ 15 milhões em recursos federais, repassados a uma associação com sede no Distrito Federal por meio de termos de fomento firmados com o Ministério do Esporte, viabilizados por emendas parlamentares, para a realização de jogos estudantis de esportes digitais entre os anos de 2023 e 2024.

    Entre as determinações judiciais, estão a suspensão de novos repasses federais à associação investigada e a proibição de transferência de valores às empresas subcontratadas no contexto dos termos de fomento analisados.

  • Foragida da Justiça, Carla Zambelli é presa na Itália

    Foragida da Justiça, Carla Zambelli é presa na Itália

    A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi presa nesta terça-feira (29) na Itália, segundo informou o Ministério da Justiça. A parlamentar havia fugido do Brasil após ser condenada a dez anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal no caso da invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

    A prisão foi possível graças ao deputado italiano Angelo Bonelli, que na véspera publicou em sua conta no X o endereço onde Zambelli estaria. Ele afirmou que a deputada se encontrava em um apartamento em Roma e que a polícia realizava sua identificação.

    Zambelli havia fugido à Itália após condenação no STF.

    Zambelli havia fugido à Itália após condenação no STF. Mário Agra/Câmara dos Deputados

    Confira a publicação que entregou a localização de Zambelli:

  • Últimas horas para votar no Prêmio Congresso em Foco: ainda dá tempo!

    Últimas horas para votar no Prêmio Congresso em Foco: ainda dá tempo!

    A reta final chegou. Termina nesta quarta-feira (30) a votação popular do Prêmio Congresso em Foco 2025, que reconhece os parlamentares mais bem avaliados do país. Com reviravoltas recentes na classificação dos deputados e senadores mais votados, o momento é decisivo para quem ainda quer influenciar os resultados.

    Na última parcial divulgada, houve mudanças expressivas nas posições dos congressistas, mostrando que a disputa segue aberta e que qualquer voto pode ser determinante. Os parlamentares intensificaram suas campanhas nas redes sociais, reforçando o caráter democrático da premiação: é o eleitor quem define os destaques do Congresso Nacional.

    Em sua 18ª edição, o Prêmio Congresso em Foco inovou ao permitir votos não apenas pelo site oficial, mas também via WhatsApp. A novidade facilitou o acesso e impulsionou a participação: quase 3 milhões de votos já foram registrados, reflexo do alto engajamento da sociedade com a escolha dos representantes mais atuantes.

    Cada pessoa pode escolher até 10 deputados e 5 senadores entre os nomes aptos. O processo é auditado em duas etapas, garantindo transparência e segurança na votação.

    São as últimas horas. Vote agora mesmo!

    São as últimas horas. Vote agora mesmo!Arte Congresso em Foco

    Como participar

    Ainda dá tempo de votar. A escolha pode ser feita por dois canais:

    • Pelo site oficial: acesse premio.congressoemfoco.com.br, digite seu nome e e-mail, confirme o código de verificação e selecione seus parlamentares favoritos.
    • Pelo WhatsApp: inicie a votação clicando aqui, e siga as instruções do sistema interativo.

    Ambas as plataformas utilizam filtros automáticos para identificar e barrar e-mails temporários e tentativas de votação automatizada.

    Os finalistas da votação popular serão anunciados em 1º de agosto. Já a cerimônia de premiação ocorrerá em 20 de agosto, no Teatro Nacional Claudio Santoro, em Brasília, com transmissão ao vivo pelos canais oficiais do Congresso em Foco.

    Veja quem apoia o Prêmio Congresso em Foco 2025.

    Veja quem apoia o Prêmio Congresso em Foco 2025.Arte Congresso em Foco

  • Eduardo Bolsonaro agradece a Donald Trump por sanções a Moraes

    Eduardo Bolsonaro agradece a Donald Trump por sanções a Moraes

    O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) celebrou nesta quarta-feira (30) as sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cobrou do Congresso a aprovação de uma anistia ampla a investigados por envolvimento nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

    “Quando me exilei aqui nos Estados Unidos, eu deixei bem claro a minha intenção de sancionar o Alexandre de Moraes”, disse. “Hoje, eu tenho a sensação de missão cumprida”. O deputado vive fora do Brasil desde março, e tem atuado junto a aliados do presidente americano, Donald Trump, para pressionar contra autoridades brasileiras. Ele é investigado na Polícia Federal sob suspeita de coação judicial em favor de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Parlamentar agradeceu o governo americano pela imposição de restrições a Alexandre de Moraes.

    Parlamentar agradeceu o governo americano pela imposição de restrições a Alexandre de Moraes.
    Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

    As declarações foram feitas horas após o anúncio oficial das sanções contra Moraes, baseado na Lei Magnitsky, que permite aos EUA punir autoridades estrangeiras acusadas de violações de direitos humanos. Moraes fica proibido de entrar em solo americano, e fica proibido de realizar transferências bancárias em instituições ligadas aos Estados Unidos.

    Eduardo afirmou que a medida não encerra sua atuação nos EUA. “Essa medida […] é apenas o primeiro passo para que existam meios suficientes para que a gente possa resgatar a nossa democracia, a harmonia entre os poderes e a normalidade das instituições”, declarou.

    Cobrança de anistia

    A fala foi acompanhada por uma nota, na qual o deputado pediu que o Congresso aprove a anistia aos réus em processos relacionados aos atos de 8 de janeiro. “Chegou a hora do Congresso agir”, escreveu. “A anistia […] é urgente para restaurar a paz, devolver a liberdade aos perseguidos e mostrar ao mundo que o Brasil ainda acredita na democracia”.

    Eduardo agradeceu nominalmente ao presidente Donald Trump, ao secretário de Estado, Marco Rubio, e a parlamentares republicanos. “Essa decisão mostra que o mundo está olhando para o Brasil”, afirmou, sem mencionar as críticas à instrumentalização política das sanções por parte de grupos aliados ao presidente americano.

    Veja sua declaração:

  • Mesmo com exceções, 25% das exportações de minérios serão taxadas

    Mesmo com exceções, 25% das exportações de minérios serão taxadas

    O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) informou que 75% dos minérios exportados para os Estados Unidos entraram na lista de exceções, mas o setor ainda sofrerá impacto.

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, formalizou, por meio de Ordem Executiva assinada nesta quarta-feira (30), a aplicação de uma alíquota de 50% sobre os produtos de origem brasileira que são exportados para o mercado norte-americano. O referido documento também apresenta uma relação de aproximadamente 700 produtos que não serão afetados pela taxação, como suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves destinadas ao uso civil.

    “Uma análise preliminar do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), com base no documento divulgado nesta quarta-feira (30) pelo governo dos Estados Unidos, indica que, dos 1,53 bilhões de dólares – valor que representa 4% das exportações minerais brasileiras destinadas ao mercado norte-americano – cerca de 75% estão incluídos nas exceções previstas pelo decreto. Com isso, 25% das exportações serão impactadas”, informa a nota divulgada pela entidade.

    Setor ainda calcula dos impactos da taxação imposta por Trump.

    Setor ainda calcula dos impactos da taxação imposta por Trump.José Cruz/Agência Brasil

    Segundo o Ibram, os minerais que foram isentos da taxação imposta pelo governo Trump incluem caulim, cobre, manganês, vanádio, bauxita, além de algumas variedades de pedras e rochas ornamentais. “O Ibram continua analisando os detalhes do decreto para compreender plenamente seus impactos e reafirma seu compromisso de atuar para que todos os minerais brasileiros sejam excluídos da nova sobretaxa”, enfatiza o setor.

    A entrada em vigor das novas taxas está prevista para ocorrer em sete dias, precisamente no dia 6 de agosto. Na Ordem Executiva que estabeleceu o aumento da tarifa para os produtos brasileiros em 50%, Trump justificou a medida alegando que o Brasil representa uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional dos Estados Unidos, uma classificação similar àquela adotada em relação a países considerados hostis a Washington, como Cuba, Venezuela e Irã.

    O documento alega que o Brasil estaria promovendo perseguição, intimidação e censura contra “o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro e milhares de seus apoiadores que são graves violações dos direitos humanos que minaram o Estado de Direito no Brasil”. Além do processo judicial envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, foram mencionadas como justificativas para as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil as medidas adotadas pelo governo brasileiro em relação às plataformas digitais e as decisões proferidas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

    “A perseguição política, por meio de processos forjados, ameaça o desenvolvimento ordenado das instituições políticas, administrativas e econômicas do Brasil, inclusive minando a capacidade do Brasil de realizar uma eleição presidencial livre e justa em 2026. O tratamento dado pelo governo do Brasil ao ex-presidente Bolsonaro também contribui para o colapso deliberado do Estado de Direito no Brasil, para a intimidação politicamente motivada naquele país e para abusos de direitos humanos”, consta no texto.

    No documento emitido pelo governo norte-americano, o ministro Alexandre de Moraes é acusado de abusar de sua autoridade judicial “para atingir oponentes políticos, proteger aliados corruptos e suprimir dissidências, muitas vezes em coordenação com outras autoridades brasileiras”. Trump acusa o ministro de confiscar passaportes, prender pessoas sem julgamento e impor multas a empresas que não cumpriram “suas exigências ilegais de censura”.

  • STF: acompanhe a sessão de abertura do 2º semestre

    STF: acompanhe a sessão de abertura do 2º semestre

    O Supremo Tribunal retorna aos trabalhos nesta sexta-feira (1º) depois do recesso do Judiciário. Acompanhe a transmissão ao vivo:

    Um dos destaques da sessão desta sexta é o Recurso Extraordinário 640452, que discute a legalidade de uma multa aplicada à Eletronorte por descumprimento de obrigação tributária acessória.

    Outros processos que serão julgados:

    ADI 4067: trata da legalidade da destinação de 10% da contribuição sindical compulsória para centrais sindicais. O julgamento será retomado com o voto-vista do ministro Gilmar Mendes.

    ADI 7524: questiona normas de Santa Catarina que estabelecem regras distintas para licenças parentais de servidores civis e militares. A ação será analisada no plenário presencial após pedido de destaque do ministro Barroso.

    Leia ainda:

    STF volta ao trabalho nesta sexta em meio a sanções contra Moraes

  • Entenda o embate fiscal entre BYD e fabricantes nacionais

    Entenda o embate fiscal entre BYD e fabricantes nacionais

    A entrada em operação da fábrica da montadora chinesa BYD, em Camaçari (BA), deu início a uma batalha interna no setor automotivo brasileiro. A empresa, que ocupa o antigo complexo da Ford, iniciou a montagem de carros elétricos com peças vindas da China, prática apontada como desleal por concorrentes estabelecidos no país. A controvérsia chegou ao Palácio do Planalto, forçado a intermediar a disputa que pode definir o futuro do setor no país.

    O centro da controvérsia está no modelo de produção adotado pela BYD. Os veículos são montados a partir de kits importados, em uma etapa que antecede a nacionalização da produção. As rivais, representadas por executivos da Volkswagen, General Motors, Toyota e Stellantis, afirmam que esse formato gera poucos empregos e ameaça os investimentos industriais feitos nas últimas décadas.

    Nova fábrica da BYD na Bahia reacende debate sobre produção local.

    Nova fábrica da BYD na Bahia reacende debate sobre produção local.BYD/Divulgação

    Os dois lados exigem incentivos fiscais para a plena continuidade de seus investimentos, empurrando um impasse ao presidente Lula: defender um parque industrial robusto estabelecido ao longo de décadas ou facilitar a entrada de um novo ator que promete uma inovação tecnológica intensa.

    Veículos semimontados

    Ainda em processo de construção, a fábrica da BYD começou a operar em caráter experimental no início de julho, com linhas de produção dos modelos Dolphin Mini e ao Song Plus, os mais consumidos no mercado brasileiro. Os carros chegaram com carroceria armada e pintada. As peças são apenas encaixadas no Brasil, sem que processos como pintura ou soldagem ocorram no território nacional.

    Esse formato é conhecido como SKD (sigla em inglês para Semi Knocked Down). A produção local ainda não está em processo de licenciamento para venda, e a promessa da gigante chinesa é gradualmente transitar para um formato com maior participação nacional. O contrato com o governo da Bahia prevê um prazo de um ano para essa transformação.

    Reação de concorrentes

    Com o início das operações da planta, a BYD solicitou a redução de tarifas para a importação dos carros SKD. Em resposta, os presidentes da Volkswagen, General Motors, Toyota e Stellantis enviaram uma carta ao presidente Lula contestando o incentivo ao formato.

    No texto, afirmam que a concessão de incentivos à importação de kits desmontados compromete a indústria nacional. “Essa prática deletéria pode disseminar-se em toda a indústria”, escreveram os executivos.

    Segundo a carta, o sistema adotado pela BYD reduz o valor agregado dos veículos produzidos no País, além de afetar o emprego e a engenharia local. “Representaria, na verdade, um legado de desemprego, desequilíbrio da balança comercial e dependência tecnológica”

    As montadoras pediram que o governo federal assegure “igualdade de condições na competição pelo mercado”, vetando “privilégios para a importação de veículos desmontados ou produzidos no exterior com subsídios”.

    Reação da BYD

    A BYD respondeu publicamente por meio de um comunicado. No texto, nega que esteja em busca de tratamento especial. A empresa afirma que está dentro do planejamento previsto e critica o teor da carta enviada ao governo. “A carta tem o tom dramático de quem acaba de ver um meteoro no céu”, diz a marca, comparando os signatários da carta a “dinossauros”.

    A montadora afirma que sua proposta segue práticas adotadas anteriormente por outras fabricantes. “A redução temporária de imposto que a BYD pleiteia segue uma lógica simples e razoável: não faz sentido aplicar o mesmo nível de tributação sobre veículos 100% prontos trazidos do exterior e sobre veículos que são montados no Brasil”.

    No mesmo texto, a empresa questiona os motivos da reação. “O incômodo das concorrentes não tem a ver com impostos, nem com montagem, nem com empregos. Tem a ver com a perda de protagonismo”.

    Meio-termo

    A disputa foi encerrada, ao menos por ora, com uma resolução da Câmara de Comércio Exterior (Camex) estabelecendo um meio termo entre os dois lados.

    Hoje, veículos importados em kits SKD pagam uma tarifa de 18% para modelos elétricos e de 20% para híbridos: valor abaixo da tarifa padrão de 35%. Esse incentivo estava originalmente previsto para durar até 2018. A BYD havia pedido que esses percentuais fossem reduzidos temporariamente para 10% e 5%. Por outro lado, os fabricantes locais cobraram a adoção imediata da tarifa padrão de 35% sobre veículos importados.

    O governo negou as duas demandas. Na nova resolução, a Camex autorizou que carros desmontados possam ser importados por apenas seis meses sem precisar pagar impostos, dentro de um teto de até US$ 463 milhões. Depois desse período, a isenção se encerra. Em seguida, as tarifas voltarão a subir de forma escalonada, até atingir 35% em janeiro de 2027. Antes, esse aumento estava previsto apenas para julho de 2028.

    A solução do Executivo foi aceita sem entusiasmo pela indústria local. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) chamou de “máximo aceitável” o limite de seis meses de isenção fiscal para SDKs. Do outro lado, a BYD optou por não se manifestar a respeito. O embate fiscal entre gigantes do setor automotivo entra em fase de cessar-fogo.

  • Relembre os cinco bate-bocas mais polêmicos do Congresso em 2025

    Relembre os cinco bate-bocas mais polêmicos do Congresso em 2025

    O ano de 2025 tem sido marcado por embates intensos no Congresso Nacional, com sessões interrompidas por tumultos, trocas de acusações entre parlamentares e necessidade de intervenção institucional. A seguir, os cinco episódios que mais repercutiram no Plenário e em comissões parlamentares até agora.

    Assista ao vídeo:

    1. Cassação de Glauber Braga provoca tumulto no Conselho de Ética

    A sessão do Conselho de Ética da Câmara que aprovou o parecer pela cassação do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), foi marcada por confusão. O parlamentar é acusado de quebra de decoro por ter agredido um militante do MBL dentro da Câmara, em abril de 2024.

    Deputados aliados de Braga alegaram irregularidades no encerramento das discussões e protestaram contra o andamento do processo. O relator Paulo Magalhães (PSD-BA) manteve seu voto pela cassação e criticou a condução da reunião: “Diante dessa algazarra e essa balbúrdia, eu mantenho meu relatório”.

    2. Tumulto entre Fernando Haddad e deputados da oposição em comissão conjunta

    Em 11 de junho, uma audiência com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nas comissões de Finanças e Tributação e de Fiscalização Financeira e Controle, terminou em tumulto. O ministro classificou como “molecagem” a conduta dos deputados Carlos Jordy (PL-RJ) e Nikolas Ferreira (PL-MG), que deixaram a sessão após questioná-lo e retornaram em seguida para rebater a crítica.

    Jordy respondeu com um “moleque é você”, enquanto Nikolas alegou cerceamento de sua participação. A sessão se tornou incontrolável, e o presidente do colegiado, Rogério Correia (PT-MG), encerrou os trabalhos após tentativas frustradas de retomada da ordem.

    3. Marcos Rogério manda Marina Silva “se pôr no lugar” em comissão no Senado

    Em reunião da Comissão de Infraestrutura, o senador Marcos Rogério (PL-RO) dirigiu-se à ministra Marina Silva com a frase: “se ponha no seu lugar”, ao intervir em discussão entre a ministra e o senador Omar Aziz (PSD-AM).

    A declaração foi rebatida por Eliziane Gama (PSD-MA), que apontou um possível viés sexista na fala. Marcos Rogério negou a acusação. O embate só foi encerrado após intervenção do senador Chico Rodrigues (PSD-RR), que apelou por tranquilidade entre os presentes.

    4. Hugo Motta e Carlos Jordy se enfrentam durante votação da PEC dos Precatórios

    Durante a votação em segundo turno da PEC dos Precatórios, em 15 de julho, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) trocaram farpas após Jordy questionar a retirada de um destaque sem, segundo ele, a anuência da liderança do PL.

    Motta respondeu que a medida havia sido autorizada pelo líder do partido e rejeitou o tom de cobrança do parlamentar. “Eu não funciono na base da ameaça. O senhor orienta como quiser”, afirmou o presidente. O clima se acirrou, mas a votação foi concluída com aprovação da proposta, que seguiu para o Senado.

    5. Discussão entre Kim Kataguiri e Célia Xakriabá termina com ação da Polícia Legislativa

    Durante a votação do novo Código de Licenciamento Ambiental, na madrugada de 17 de julho, os deputados Kim Kataguiri (União-SP) e Célia Xakriabá (PSOL-MG) protagonizaram um dos episódios mais tensos do ano. Após trocas de críticas em plenário, a discussão escalou quando a deputada chamou Kataguiri de “deputado estrangeiro”, ao que ele respondeu com referência irônica ao cocar usado por ela, associando-o a um “pavão asiático”.

    A deputada classificou a fala como um ato de “racismo televisionado”. Já Kataguiri afirmou que foi atacado fisicamente e que a parlamentar “perdeu o controle”. O clima de tensão exigiu a entrada da Polícia Legislativa para evitar confronto físico direto.