Quando o assunto é assédio e discriminação, é comum que a vítima seja tomada pelo medo e pela insegurança para denunciar. A ideia de que poderá haver uma punição ou qualquer tipo de retaliação, muitas vezes, é uma barreira difícil de ser quebrada. Nesta quarta-feira (7/05), o Tribunal Regional Federal da 5ª Região – TRF5, através da Comissão de Prevenção ao Assédio e à Discriminação (CPAMAS), deu mais um passo importante para a mudança, com a realização da oficina “Rota das Emoções”. A ação, que integra a programação da Semana de Combate ao Assédio e à Discriminação, reuniu terceirizadas e terceirizados da Corte, para um momento de reflexão, esclarecimento, escuta, acolhimento e, principalmente, de incentivo às pessoas para não se calarem diante de atos abusivos.
Antes do início da dinâmica, a diretora da Divisão de Desenvolvimento Humano do TRF5, Isaura Rodrigues, recebeu os(as) participantes e explicou o propósito da oficina. “É uma alegria estar aqui, hoje. Essa ação, em especial, tem como público-alvo os colaboradores terceirizados da casa. Esse é mais um espaço de escuta, só que com essa proposta de priorizar a fala e a escuta de vocês (terceirizados), que são muito importantes para o que estamos desenvolvendo no Tribunal”.
A abertura também contou com a participação da presidente da CPAMAS, desembargadora federal Cibele Benevides, que falou da satisfação em proporcionar a atividade para o público presente. “Isso é uma demanda no Brasil inteiro, em todo o Poder Judiciário, vinda do Conselho nacional de Justiça (CNJ), e o nosso Tribunal não podia ficar de fora. Essa oficina é para que a gente possa se conhecer, conhecer os limites, desenvolver habilidades e conseguir detectar casos em que não devemos aceitar o desrespeito”.
A magistrada, explicou, ainda, o porquê da preocupação com o tema. “Sabemos que, no Judiciário como um todo, existem cargos e tarefas diferentes, cada um tem sua atribuição; umas exigem mais atividade intelectual, outras atividade física, mas todas são importantes e a nossa Constituição diz que todo mundo é igual perante a lei. Então, ninguém aqui é superior a ninguém, todas as pessoas têm dignidade e merecem respeito. A premissa no serviço público é essa: ninguém pode ser desrespeitado”.
A dignidade e a igualdade de tratamento entre as pessoas foi o ponto abordado pela servidora Flávia Ferrario, que também integra a CPAMAS. Ela falou sobre a criação da Comissão, bem como sobre a atuação dos membros da equipe, a importância de procurar a CPAMAS e sobre a necessidade do respeito no ambiente de trabalho. Citando o filósofo alemão Immanuel Kant, a servidora disse que “As coisas têm um preço; os seres humanos têm dignidade. Todos nós somos iguais perante a lei, cada um com seus valores e seus princípios. Foi por isso que a CPAMAS foi criada. Se sintam acolhidos e protegidos”.
Rota das Emoções
A oficina “Rota das Emoções” foi realizada de forma lúdica, coordenada pela psicóloga e supervisora da Seção de Saúde e Qualidade de Vida da Justiça Federal no Rio Grande do Norte (JFRN), Shirley Magnólia Baumgartner. Fazendo jus ao nome, a atividade foi um verdadeiro mergulho em sentimentos distintos, que, apesar de se mostrarem diferentes para cada pessoa, terminam no mesmo caminho: o da empatia, da escuta ativa e do respeito.
A atividade deu a oportunidade de todas as pessoas presentes se manifestarem sobre suas emoções, não somente no âmbito profissional, mas, também, pessoal. A dinâmica teve o objetivo de abrir caminho para o diálogo seguro, mesmo diante de questões complexas, como o assédio e a discriminação.
Para coordenadora da atividade, o assédio e a discriminação são temas que precisam ser falados, debatidos. “Temos que quebrar esse medo, temos que começar, para que possamos construir um ambiente mais saudável para se trabalhar”, avaliou Shirley.
Origem da oficina
A “Rota das Emoções” é um projeto da JFRN, criado em 2024. A atividade é baseada em um jogo, com perguntas voltadas à motivação, satisfação, reconhecimento, desenvolvimento pessoal, carga de trabalho, relacionamento com a equipe, entre outras. A ideia é proporcionar um ambiente leve e seguro, para facilitar a abordagem a temas complexos, com o alinhamento emocional entre os (as) participantes.
CPAMAS
