Categoria: CONGRESSO EM FOCO

  • Em depoimento, Mourão nega conhecimento da minuta do golpe

    Em depoimento, Mourão nega conhecimento da minuta do golpe

    O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) declarou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não participou de reuniões no fim do governo Jair Bolsonaro para discutir medidas de exceção, como decretação de estado de sítio ou anulação das eleições.

    Em depoimento prestado nesta sexta-feira (23), o ex-vice-presidente negou ter conhecimento da chamada minuta do golpe, citada na denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

    Ex-vice diz que transição foi tema das conversas com o ex-presidente após derrota em 2022.

    Ex-vice diz que transição foi tema das conversas com o ex-presidente após derrota em 2022.Saulo Cruz/Agência Senado

    Mourão foi ouvido como testemunha de defesa de Bolsonaro e dos generais Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, investigados por suposta participação em tentativa de golpe de Estado. Segundo o senador, nenhuma das conversas que teve com Bolsonaro após as eleições de 2022 tratou de ruptura institucional. “As conversas foram voltadas para a transição para que o novo governo assumisse no dia 1º de janeiro”, disse.

    Mourão também afirmou que tomou conhecimento dos ataques de 8 de janeiro apenas pela televisão. “Estava dentro da piscina. Era nessa situação que eu estava”, relatou ao STF.

  • Ação cobra R$ 500 milhões de bets e bloqueio de CPFs do Bolsa Família

    Ação cobra R$ 500 milhões de bets e bloqueio de CPFs do Bolsa Família

    De acordo com o levantamento do Banco Central, o valor médio gasto por beneficiários do Bolsa Família, em agosto, foi de R$ 100.

    De acordo com o levantamento do Banco Central, o valor médio gasto por beneficiários do Bolsa Família, em agosto, foi de R$ 100.Foto: Pedro Affonso/Folhapress

    Duas entidades ligadas à defesa de direitos de populações vulneráveis acionaram a Justiça Federal de São Paulo para que empresas de apostas online sejam obrigadas a bloquear o acesso de beneficiários do Bolsa Família às suas plataformas. A ação civil pública, com pedido de tutela de urgência, é movida pela Educafro Brasil e pelo Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Mônica Paião Trevisan, que também pedem à União medidas concretas para evitar o desvio de verbas públicas para o setor de jogos.

    Segundo estudo do Banco Central citado na ação, cerca de 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família transferiram R$ 3 bilhões via Pix para casas de apostas apenas em agosto de 2024.

    Fome e pobreza

    A petição, protocolada na última quarta-feira (22), tem como alvos a União, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e dez empresas de apostas: Bet365, Betano, Betfair, Sportingbet, EstrelaBet, KTO, Superbet, VBET, Novibet e Betnacional. Elas são acusadas de não adotar nenhuma medida para impedir o acesso de famílias cadastradas no CadÚnico e, com isso, se beneficiarem de recursos destinados ao combate à fome e à pobreza.

    As duas entidades pedem na Justiça a condenação das empresas e do IBJR ao pagamento de R$ 500 milhões por danos morais coletivos, valor que deverá ser destinado ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD) ou a projetos e políticas públicas voltados à prevenção ao vício em jogos, à proteção de famílias em situação de vulnerabilidade e à promoção da segurança alimentar. Solicitam, ainda, a devolução integral, ao Ministério do Desenvolvimento Social, dos valores obtidos pelas empresas desde dezembro de 2024 por meio de transações realizadas com CPFs inscritos no CadÚnico.

    Veja a íntegra da ação

    Impacto econômico

    De acordo com o levantamento do Banco Central, o valor médio gasto por beneficiários do Bolsa Família, em agosto, foi de R$ 100, ou seja, 15% do benefício médio de R$ 682 por família. Ainda de acordo com a pesquisa, 70% dos apostadores eram os próprios responsáveis legais pelas famílias cadastradas.

    O fenômeno, segundo as entidades, não é pontual. Um levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontou que o comércio varejista perdeu R$ 103 bilhões em faturamento ao longo de 2024 por causa do redirecionamento de recursos para as apostas online. O mesmo estudo estima que esse desvio tenha contribuído para a perda de 420 mil postos de trabalho e R$ 18,5 bilhões em arrecadação tributária.

    Impacto social e educacional

    A ação cita pesquisas do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), do Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) e da Associação Brasileira de Psiquiatria para demonstrar o agravamento da vulnerabilidade social de famílias pobres e os impactos diretos sobre crianças e adolescentes. Dentre os efeitos observados estão aumento da evasão escolar, redução de gastos com alimentação e saúde, comprometimento da renda familiar, surgimento de comportamentos compulsivos e agravamento de quadros de ansiedade e depressão.

    Um dos dados mais preocupantes apresentados é que 68% dos beneficiários do Bolsa Família que fazem apostas online apresentam sintomas de ludopatia transtorno de jogo patológico e que 78% deles foram influenciados por publicidade das casas de apostas.

    Omissão do poder público

    Apesar de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e de alertas do Tribunal de Contas da União (TCU), a União ainda não adotou medidas efetivas para coibir o acesso de famílias do CadÚnico às plataformas de apostas, segundo os autores da ação. Eles defendem que é possível tecnicamente bloquear os CPFs desses usuários com cruzamento de dados, sem ferir a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), bastando que os operadores de jogos implementem filtros de exclusão automatizada.

    O que pede a ação

    A petição solicita à Justiça:

    • a implementação, pelas empresas rés, de um sistema de exclusão por CPF para impedir o cadastramento e a permanência de beneficiários do CadÚnico;
    • a citação da União para que adote medidas contra as empresas e o instituto que as representa;
    • a condenação das empresas e do IBJR ao pagamento de R$ 500 milhões a título de danos morais coletivos, com destinação ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD) ou a projetos e políticas públicas voltados à prevenção da ludopatia (vício em jogos), à proteção de famílias em situação de vulnerabilidade e à promoção da segurança alimentar;
    • a restituição em favor do Ministério do Desenvolvimento Social, para destinação exclusiva aos integrantes do CadÚnico, da integralidade dos valores recebidos por meio de transações realizadas por CPFs inscritos no cadastro;
    • o bloqueio imediato do acesso às plataformas por parte de beneficiários do Bolsa Família e de outros programas sociais, enquanto a ação não for julgada definitivamente.

    Ações no STF

    A petição menciona decisões do STF em duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs 7721 e 7723), nas quais o ministro Luiz Fux determinou que o governo impedisse o uso de recursos de programas sociais em apostas. Segundo os autores, mesmo com essa determinação e com os alertas do TCU, o problema se agravou, exigindo resposta urgente do Judiciário.

    O estudo do Banco Central que detectou o uso do Bolsa Família em apostas foi realizado a partir de solicitação do senador Omar José Abdel Aziz (PSD-AM), para que fosse realizada análise técnica sobre o mercado de jogos de azar e bets no Brasil. O objetivo era mensurar o tamanho desse mercado no país.

    A revelação gerou reação do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, responsável pela execução do Bolsa Família. Ele chegou a afirmar que bloquearia o uso dos recursos do programa para a realização de apostas. O governo, no entanto, não encontrou até hoje instrumentos para interferir na utilização do dinheiro. A ação das duas entidades na Justiça tenta contornar essa dificuldade.

    Dilema

    “O cartão do Bolsa Família tem liberdade de uso para acessar necessidades da família, alimentação e outras. Certamente, jogos não são uma necessidade. Para não criar inclusive um preconceito contra cartão do Bolsa Família, a medida geral que vale para todos os cartões vale também para o cartão do Bolsa Família”, explicou Wellington Dias, na época, acrescentando que as bets regularizadas estavam ajudando o governo no bloqueio.

    O ministro demonstrou preocupação em estigmatizar os beneficiários do programa por causa de apostas feitas por um grupo. “Quando a gente olha toda a população brasileira, são 52 milhões de pessoas que jogam. Quando a gente olha o público do Bolsa Família, são 3 milhões. Quando a gente faz a proporção, são 52% de toda a população e 17,5% dos beneficiários do Bolsa Família que jogam. Quem usou o cartão [do programa] foi apenas 1,4%. Toda minha preocupação é em não demonizar o público do Bolsa Família e dos demais programas sociais”, disse o ministro na mesma entrevista em outubro.

    Desvio de finalidade

    Um dos autores da ação, o advogado Márlon Reis diz que o objetivo da iniciativa é fazer com que os recursos destinados a pessoas em situação de vulnerabilidade sejam utilizados para os seus devidos fins.

    “Nosso principal foco é a devolução ao Ministério do Desenvolvimento Social de todo o dinheiro que foi parar ilegalmente no caixa das bets. De nenhum modo pode ser admitida a apropriação de valores destinados a eliminar a insegurança alimentar e a incentivar a frequência escolar e os cuidados com a saúde de crianças e adolescentes”, afirmou o advogado ao Congresso em Foco.

  • INSS começa a devolver valores de descontos indevidos a aposentados

    INSS começa a devolver valores de descontos indevidos a aposentados

    Aposentados e pensionistas que tiveram descontos de mensalidades associativas na folha de pagamento de abril começam a receber os valores de volta a partir desta segunda-feira (26). A restituição será feita automaticamente pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), totalizando R$ 292 milhões em estornos.

    Valores descontados indevidamente em abril serão devolvidos a aposentados e pensionistas.

    Valores descontados indevidamente em abril serão devolvidos a aposentados e pensionistas.Joedson Alves/Agência Brasil

    A cobrança foi considerada indevida porque, embora o governo tenha determinado o fim desses descontos no final de abril, a folha de pagamento já havia sido processada naquele momento. Com isso, os valores acabaram sendo descontados normalmente nos benefícios pagos entre os dias 24 de abril e 8 de maio.

    A devolução acontecerá junto com o calendário regular de pagamentos, que vai de 26 de maio a 6 de junho. Os beneficiários receberão os valores na mesma conta bancária ou cartão magnético onde habitualmente recebem seus benefícios, sem necessidade de solicitação ou qualquer ação adicional.

    O INSS alerta que nenhum dado será solicitado por telefone ou por mensagem. Informações oficiais sobre aposentadorias, pensões e benefícios devem ser consultadas exclusivamente pelo portal Meu INSS ou pelo número 135. A orientação visa evitar golpes, especialmente em um momento de movimentação financeira elevada.

    Descontos anteriores

    Quem identificou cobranças semelhantes em meses anteriores pode solicitar a revisão pelo Meu INSS ou também pelo telefone 135. Nesse caso, o instituto irá exigir que a associação comprove a autorização para o desconto. Se não houver comprovação, a entidade deverá devolver o valor ao INSS, que por sua vez repassará o montante ao beneficiário.

    O ressarcimento será feito pelos mesmos canais dos pagamentos regulares, sem necessidade de comparecimento presencial.

    Biometria

    Outra mudança que passou a valer desde a última sexta-feira (24) envolve os empréstimos consignados. Agora, os segurados do INSS que desejarem contratar esse tipo de crédito com desconto direto no benefício deverão realizar identificação biométrica na plataforma Meu INSS. A exigência visa reforçar a segurança nas transações e dificultar fraudes.

    Clique aqui para ver o passo a passo para fazer a biometria.

  • Veja agências dos Correios para atendimento sobre descontos indevidos

    Veja agências dos Correios para atendimento sobre descontos indevidos

    Confira o que levar e como vai funcionar o atendimento nas agências.

    Confira o que levar e como vai funcionar o atendimento nas agências.GUIDO JR./Fotoarena/Folhapress

    A partir de 30 de maio, aposentados e pensionistas do INSS podem comparecer a uma das 4.730 agências dos Correios para verificar possíveis descontos associativos indevidos em seus benefícios. Essa colaboração entre a Previdência Social e os Correios visa proporcionar atendimento presencial, humanizado e acessível, especialmente para aqueles que encontram dificuldades com o atendimento digital. A localização da agência mais próxima pode ser consultada na lista completa de unidades participantes.

    O atendimento presencial destina-se principalmente àqueles que têm dificuldades com internet ou telefone. No entanto, o aplicativo Meu INSS, o site do INSS e a Central 135 permanecem como canais preferenciais. Caso a consulta já tenha sido realizada por esses meios, não é necessário ir a uma agência dos Correios.

    Para ser atendido, basta apresentar um documento de identificação oficial. Não é necessário portar extrato, contracheque ou comprovante de inscrição. Se o beneficiário não puder comparecer pessoalmente, um representante legal poderá realizar o atendimento com procuração autenticada. Nesse caso, o acesso será limitado à consulta, sem possibilidade de alterações cadastrais.

    O atendimento presencial ocorrerá em uma plataforma específica, separada da base de dados dos benefícios previdenciários, assegurando a segurança das informações. Nas agências habilitadas, os aposentados e pensionistas poderão consultar a existência de descontos no benefício, solicitar a contestação de descontos indevidos, reconhecer a autorização de descontos, consultar o resultado da contestação (após 15 dias úteis da solicitação), analisar e contestar a documentação da associação e imprimir o protocolo com orientações para acesso via Central 135 e Meu INSS.

    O serviço é gratuito, oferecido por equipes treinadas, com prioridade para aposentados e pensionistas em agências com sistema de gestão de filas ou guichês exclusivos. O atendimento será contínuo, sem prazo final para solicitação de ressarcimento. O Governo Federal e os Correios planejam expandir o atendimento para áreas remotas por meio de ações itinerantes e busca ativa.

    É importante ressaltar que nenhum representante do INSS ou dos Correios está autorizado a visitar os beneficiários em suas residências. Qualquer pessoa que se apresente como tal está praticando um golpe. O atendimento oficial é realizado exclusivamente pelos canais oficiais: aplicativo Meu INSS, site do INSS, Central 135 e, a partir de 30 de maio, pelas agências dos Correios. Em caso de dúvidas, consulte sempre os canais oficiais antes de tomar qualquer decisão.

  • Comissão da Câmara aprova medida de inclusão de autistas no trabalho

    Comissão da Câmara aprova medida de inclusão de autistas no trabalho

    A Comissão de Trabalho da Câmara aprovou na última quarta-feira (21) um projeto que cria a Política Nacional de Inclusão e Apoio aos Autistas Adultos no Mercado de Trabalho. O texto estabelece diretrizes para adaptar ambientes e facilitar o acesso de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) a vagas no setor público e privado.

    O deputado Leo Prates (PDT-BA) foi o relator da proposta.

    O deputado Leo Prates (PDT-BA) foi o relator da proposta.Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    Relatado pelo deputado Leo Prates (PDT-BA), o texto aprovado é um substitutivo ao projeto do deputado Josenildo (PDT-AP). A versão final excluiu a previsão de uma subcota mínima de 5% dentro da reserva já existente para pessoas com deficiência.

    Diretrizes específicas

    Entre as medidas previstas estão:

    • criação de programas de capacitação focados nas habilidades dos autistas adultos;
    • campanhas de combate ao preconceito;
    • parcerias entre empresas, ONGs e o poder público;
    • incentivos fiscais a empresas inclusivas;
    • flexibilização de escolaridade para vagas compatíveis com o perfil do candidato;
    • apoio especializado aos contratados.

    Tramitação

    A proposta segue para análise nas comissões de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Finanças e Tributação, e Constituição e Justiça. O texto tramita em caráter conclusivo e poderá ser encaminhado ao Senado sem passar pelo plenário, caso aprovado em todas essas comissões.

  • Audiência pública da CRE aborda desafios de brasileiros no exterior

    Audiência pública da CRE aborda desafios de brasileiros no exterior

    A Comissão de Relações Exteriores (CRE) promoveu, nesta terça-feira (27), uma audiência pública com o intuito de discutir a situação das comunidades brasileiras que residem fora do Brasil. Durante o encontro, diplomatas apresentaram à comissão detalhes e desafios relacionados ao trabalho com essas comunidades.

    Senador Nelsinho Trad.

    Senador Nelsinho Trad.Carlos Moura/Agência Senado

    A audiência foi convocada a partir do pedido (REQ 9/2025 – CRE) do presidente da comissão, senador Nelsinho Trad (PSD-MS). O senador Nelsinho assegurou que as contribuições coletadas serão compiladas em um relatório a ser enviado ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

    Ele garantiu aos representantes da comunidade brasileira no exterior presentes à audiência que a CRE se dedicará a atender suas demandas. “Enquanto eu estiver na presidência desta comissão, vocês têm meu compromisso de que serão ouvidos. Todos terão voz e buscaremos encontrar soluções para as questões apresentadas”,  afirmou.

    Estima-se que cerca de cinco milhões de brasileiros vivam fora do país, com as maiores comunidades localizadas nos Estados Unidos (mais de dois milhões), na Europa (1,7 milhão), no Paraguai (260 mil) e no Japão (210 mil). Os membros dessas comunidades que participaram da audiência defenderam a ampliação da participação política e social dos brasileiros no exterior.

    Jorge da Costa, residente nos Estados Unidos, destacou que os brasileiros expatriados não estão adequadamente incluídos na democracia nacional. “Estamos ligados ao Brasil em todos os aspectos, menos na democracia. O Congresso e o Tribunal Superior Eleitoral [devem] incluir essa massa brasileira que está lá fora para que possamos ter voz para encaminhar as nossas demandas e fortalecer a sociedade brasileira com a nossa participação”.

    Luciana Oliveira, que reside no Reino Unido, solicitou o aumento dos postos de votação nas eleições e defendeu que os cônsules também sejam submetidos a sabatina no Senado. Os consulados, ao contrário das embaixadas, operam em cidades que não são capitais nacionais. “São eles os principais responsáveis pelo atendimento a nós brasileiros no exterior”, observou.

    A secretária das Comunidades Brasileiras e Assuntos Consulares e Jurídicos do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Márcia Loureiro, mencionou que o perfil dos brasileiros expatriados é diversificado, com demandas específicas dependendo da região onde residem. De acordo com pesquisas realizadas junto às autoridades locais, predominam entre os brasileiros características como integração social, disciplina e força de trabalho.

    A embaixadora explicou que as comunidades de brasileiros que mais necessitam da assistência do MRE são aquelas localizadas em regiões de fronteira com o Brasil, como no Paraguai, na Bolívia e na Guiana Francesa. Os brasileiros nessas áreas são, em geral, estudantes universitários, trabalhadores rurais e garimpeiros, e suas necessidades impactam os estados e municípios brasileiros da fronteira.

    “Essas comunidades têm necessidades mais básicas, menor grau de associativismo e dependem, portanto, de uma atuação proativa do poder público. A nossa rede de postos de fronteira, hoje, conta com 19 unidades. É um trabalho muitas vezes silencioso e invisível que atende a pessoas, muitas vezes, em situação de extrema vulnerabilidade”, afirmou Márcia Loureiro.

    Com restrições orçamentárias, os consulados têm enfrentado dificuldades para atender à crescente demanda, incluindo um aumento significativo no prazo para a emissão de documentos. Chefes de missões diplomáticas brasileiras que se pronunciaram à CRE sugeriram que os consulados e embaixadas possam reter as taxas pagas pelos serviços prestados – que atualmente são destinadas ao Tesouro Nacional.

    O cônsul-geral do Brasil em Nova York, Adalnio Senna Ganem, alertou sobre os impactos de políticas migratórias mais rigorosas nos Estados Unidos nos últimos anos. “Temos casos urgentes, não apenas burocráticos, mas também psicológicos e econômicos, diante da vulnerabilidade de parte da comunidade”, observou.

    O embaixador Octávio Henrique Côrtes, que lidera a missão brasileira no Japão, mencionou que os desafios enfrentados pelas comunidades locais incluem o envelhecimento da população e a inserção educacional e profissional dos filhos de brasileiros nascidos em território japonês. “A prioridade da nossa relação diplomática é o fortalecimento dos mecanismos de proteção aos direitos dos brasileiros e o aprimoramento da integração sociocultural”, destacou.

    O embaixador Francisco Carlos Soares Luz, cônsul-geral em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, abordou a situação dos brasileiros no país, especialmente estudantes de medicina, agricultores e empresários. Segundo ele, a comunidade é dispersa e heterogênea, com demandas específicas – desde assistência jurídica até o acompanhamento de brasileiros encarcerados. Ele também ressaltou o impacto econômico dos brasileiros no país, como o fato de que um quarto da soja exportada pela Bolívia provém de fazendas de brasileiros.

  • Comissão de Orçamento aprova R$ 7 bilhões para o Rio Grande do Sul

    Comissão de Orçamento aprova R$ 7 bilhões para o Rio Grande do Sul

    A Comissão Mista de Orçamento aprovou nesta terça-feira (27) três medidas provisórias que abrem crédito extraordinário de R$ 7 bilhões para ações de socorro ao Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024.

    O deputado Bohn Gass (PT-RS) diz que 84% dos recursos da principal MP na comissão já fora usados.

    O deputado Bohn Gass (PT-RS) diz que 84% dos recursos da principal MP na comissão já fora usados.Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

    As MPs foram editadas em dezembro do ano passado e ainda precisam ser votadas pelo Congresso Nacional:

    • A principal delas, a MP 1282/24, destina R$ 6,5 bilhões ao Ministério das Cidades para recuperação da infraestrutura estadual.
    • A MP 1283/24 reserva R$ 168 milhões para benefícios sociais, como o BPC e a Renda Mensal Vitalícia.
    • A MP 1284/24 distribui R$ 357 milhões entre seis ministérios para ações diversas.

    84% dos recursos já foram usados, diz relator

    O deputado Bohn Gass (PT-RS), relator da MP 1284/24, afirmou que a maior parte do valor autorizado na MP já foi executado. Ele ressaltou a importância de acelerar a liberação dos créditos restantes diante da nova crise climática no estado.

    Comissão discutirá Orçamento e IR em audiências

    Além das MPs, a comissão aprovou dois requerimentos para audiências públicas: uma sobre a execução do Orçamento de 2025 e outra sobre o projeto de reforma do Imposto de Renda (PL 1087/25), que altera as faixas de cobrança a partir de 2026.

  • Comissão aprova selo de diversidade e inclusão no ambiente de trabalho

    Comissão aprova selo de diversidade e inclusão no ambiente de trabalho

    A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal finalizou a votação do projeto de lei que institui o selo Diversidade, Inclusão e Equidade no Ambiente de Trabalho. A proposta, aprovada inicialmente em abril, passou por turno suplementar de votação nesta quarta-feira (28).

    O projeto de lei (PL) 4.988/2023, de autoria do senador Marcos do Val (Podemos-ES), recebeu um substitutivo apresentado pela relatora, senadora Leila Barros (PDT-DF). Caso não haja recurso para votação em plenário, o texto seguirá para a Câmara dos Deputados.

    O selo visa estimular empresas e órgãos públicos a implementarem práticas que promovam a inclusão de mulheres, pessoas pretas ou pardas e pessoas com deficiência no ambiente profissional.

    Senadora Leila Barros é a relatora da proposta.

    Senadora Leila Barros é a relatora da proposta.Carlos Moura/Agência Senado

    O senador Marcos do Val destacou que mulheres e pessoas pretas ou pardas enfrentam desigualdades no mercado de trabalho, como menor empregabilidade e remuneração inferior em comparação a homens e pessoas brancas, respectivamente.

    Para a concessão do selo, serão considerados critérios como:

    • a proporção equitativa de homens e mulheres, assim como de brancos, pretos ou pardos, tanto no quadro geral de pessoal quanto em cargos de liderança;
    • igualdade salarial;
    • a implementação de ações educativas sobre inclusão e diversidade;
    • medidas de combate ao assédio e à discriminação;
    • promoção dos direitos das mulheres, das pessoas pretas e pardas e das pessoas com deficiência no local de trabalho;
    • atendimento às normas de acessibilidade e fornecimento de recursos de tecnologia assistiva para pessoas com deficiência;
    • treinamento regular de funcionários e prestadores de serviço para conscientização sobre racismo, sexismo e capacitismo;
    • e a existência de canais de denúncia e procedimentos para apuração e responsabilização em casos de assédio ou discriminação.

    O selo será concedido em três níveis: bronze, prata e ouro, conforme o número de critérios atendidos. A validade será de dois anos, com possibilidade de renovação por igual período. Os trâmites para concessão, renovação e eventual perda do selo serão definidos por regulamento.

    A senadora Leila Barros, relatora do projeto, acatou duas emendas apresentadas para o turno suplementar. As senadoras Damares Alves (Republicanos-DF) e Magno Malta (PL-ES) propuseram a substituição do termo “gênero” por “sexo” no texto do substitutivo. Segundo Damares, a alteração visa “ajustar a terminologia de forma uniforme em todo o texto legal, garantindo coerência e clareza”.

  • Vai à Câmara campanha de combate à violência contra mulher em estádios

    Vai à Câmara campanha de combate à violência contra mulher em estádios

    Campanha de combate à violência contra mulher em estádios vai à Câmara.

    Campanha de combate à violência contra mulher em estádios vai à Câmara.Freepik

    A Comissão de Esporte (CEsp) aprovou, nesta quarta-feira (28), um projeto de lei que torna obrigatória a exibição de campanhas de conscientização sobre a violência contra a mulher em eventos esportivos com público superior a 10 mil pessoas (PL 4.842/2023). O projeto, relatado pela senadora Leila Barros (PDT-DF), segue para a Câmara dos Deputados, caso não haja recurso para votação em plenário.

    A obrigação se estende aos clubes esportivos que recebem recursos públicos de loterias. Esses clubes deverão incluir, nos contratos de transmissão de suas partidas, uma cláusula que garanta a veiculação das campanhas. Além disso, as campanhas também serão exibidas nos telões, sistemas de sonorização e demais mídias disponíveis no estádio durante as partidas.

    As peças publicitárias serão elaboradas e disponibilizadas pela União, Estados, municípios ou Distrito Federal, respeitando as características culturais de cada local. Sempre que possível, as campanhas contarão com a participação de ídolos masculinos e femininos do esporte, das artes e da cultura nacional. Campanhas elaboradas por diferentes entes federados poderão ser exibidas de forma alternada e sucessiva em partidas e eventos esportivos distintos.

    O texto original, de autoria da senadora Augusta Brito (PT-CE), especificava que as peças publicitárias deveriam ter duração entre 15 e 30 segundos e seriam produzidas pelas emissoras de TV. A relatora, Leila Barros, sugeriu que essa especificação seja incluída na regulamentação da lei. A senadora também acrescentou um dispositivo para que a pertinência das campanhas seja reavaliada após 10 anos.

    Em seu parecer, a relatora destacou que o projeto aborda o aumento de casos de violência contra mulheres em dias de eventos esportivos, principalmente jogos de futebol, um problema “evidenciado e fundamentado”. Para Leila Barros, os clubes que recebem recursos públicos de loterias devem oferecer uma contrapartida social.

    “Nada mais justo que o repasse dessas verbas seja acompanhado da responsabilidade social de contribuir com políticas públicas voltadas à promoção da cultura de paz e à prevenção da violência, especialmente contra à mulher, em ambientes esportivos”, defendeu a senadora. O projeto já havia sido aprovado em primeiro turno na semana anterior.

  • Comissão aprova criação de semana da prevenção ao Câncer Colorretal

    Comissão aprova criação de semana da prevenção ao Câncer Colorretal

    A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (28) o projeto de lei 648/2025, que cria a Semana Nacional de Conscientização e Prevenção ao Câncer Colorretal. A proposta, de autoria da deputada Juliana Cardoso (PT-SP), presta homenagem à artista Preta Gil, diagnosticada com a doença em 2023.

    Segundo a parlamentar, “a falta de informação sobre o câncer colorretal e o estigma em torno desse diagnóstico acabam retardando a detecção e, consequentemente, reduzindo as chances de cura”. Sobre a homenagem à cantora e atriz, acrescentou que “Preta Gil ajuda a romper esse silêncio”.

    Campanha anual pretende combater o tabu em torno da doença e ampliar o acesso à prevenção.

    Campanha anual pretende combater o tabu em torno da doença e ampliar o acesso à prevenção.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

    O projeto estabelece a realização da campanha na quarta semana de março, período alinhado à mobilização conhecida como Março Azul. A intenção é divulgar fatores de risco, estimular exames preventivos e promover ações educativas sobre o câncer de cólon e reto.

    Parecer do relator

    Relator da matéria, o deputado Dr. Francisco (Avante-MG) defendeu a aprovação da proposta. Em seu parecer, afirmou que “ações de prevenção e conscientização são fundamentais para que a população procure adotar medidas que promovam um estilo de vida saudável e busquem realizar os exames de rastreio para detecção precoce da doença”.

    Ele ressaltou ainda que a campanha vai “impulsionar a divulgação de informações sobre como adotar medidas de proteção e sobre como ter acesso aos exames, com a utilização de recursos de comunicação eficazes para o alcance de toda população a esses recursos”.

    Proximos passos

    A proposta agora segue para a Comissão de Finanças e Tributação, e em seguida para a de Constituição e Justiça (CCJ). Ela tramita em regime conclusivo: se aprovada nos dois colegiados, seguirá ao Senado sem a necessidade de votação em Plenário.